Após temporadas de sucesso, “A Obscena Senhora H – Paixão e Obra de Hilda Hilst”, monólogo estrelado por Luciana Veloso, vencedora do Prêmio Nacional Cenym de Melhor Atriz (2020), volta à capital mineira em um momento simbólico. Duas décadas depois da criação da Lei Maria da Penha, os desafios para combater a violência de gênero ainda mobilizam a sociedade, tornando a arte uma importante ferramenta para ampliar o debate e estimular a conscientização. Em cartaz nos dias 7, 8 e 9 de agosto, sexta e sábado, às 20h, domingo, às 19h, no Teatro da Cidade, pelo projeto “No Palco Cidade”, a montagem aborda questões como machismo, violência contra a mulher, relacionamentos abusivos e a opressão feminina a partir da vida e da obra de uma das maiores escritoras da literatura brasileira.
O espetáculo acompanha episódios da vida de Hilda Hilst durante a escrita de “A Obscena Senhora D”, publicada em 1982. Em cena, a escritora revisita sua intensa e conturbada relação amorosa com o primo Wilson Hilst, marcada por violência psicológica e abusos, enquanto cria aquela que seria uma de suas obras mais importantes. A narrativa entrelaça realidade e ficção, revelando como experiências pessoais atravessaram sua produção literária.
“Hillé, personagem central do livro e fio condutor da nossa ficção no teatro, é um autorretrato da escritora que leva ao extremo a tensão entre a materialidade da carne e a intangibilidade do espírito. Ela é a voz de Hilda num tempo em que, desamparada, parecia distante de si mesma. Enquanto transbordava intensidade através de uma personagem que não se submete aos homens, à vida, ao mundo e a Deus, a escritora viveu um dos momentos mais difíceis de sua trajetória. Foi na literatura que Hilda encontrou sua forma de sobrevivência”, destaca a atriz Luciana Veloso.
Para o dramaturgo e diretor Juarez Guimarães Dias, a passagem dos 20 anos da Lei Maria da Penha evidencia como a discussão proposta pelo espetáculo continua necessária.
“Embora a legislação represente um enorme avanço para a proteção das mulheres, a violência de gênero ainda faz parte da realidade brasileira. A peça dialoga diretamente com essa questão ao apresentar uma personagem que enfrenta relações marcadas pelo abuso e pelo machismo, mostrando como essas estruturas atravessam diferentes épocas. Hilda Hilst escreveu sobre essas violências há mais de quatro décadas e sua obra continua extremamente atual”, afirma.
A montagem também propõe um mergulho no universo existencial da autora, abordando temas como vida, morte, desejo, liberdade e espiritualidade. O texto reúne fragmentos do romance “A Casa da Senhora H”, de Juarez Guimarães Dias, da novela “A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst, além de entrevistas e cartas da escritora.
Reconhecida como uma das vozes mais contundentes da literatura brasileira, Hilda Hilst construiu uma obra que rompeu padrões estéticos e sociais. Em uma época em que as mulheres eram frequentemente silenciadas, recusou ocupar o lugar que lhes era imposto e fez da escrita um instrumento de enfrentamento, liberdade e provocação. Quarenta anos depois da publicação de “A Obscena Senhora D”, sua literatura permanece atual ao denunciar mecanismos de opressão que ainda persistem na sociedade.
Mais do que uma homenagem à escritora, “A Obscena Senhora H – Paixão e Obra de Hilda Hilst” convida o público a refletir sobre a violência contra as mulheres, reforçando que, duas décadas após a Lei Maria da Penha, o combate ao machismo e aos relacionamentos abusivos continua sendo um desafio coletivo.
Sinopse
Casa do Sol, 1980 – A premiada escritora brasileira, Hilda Hilst, vive momentos de paixão e terror durante a criação de um dos seus mais aclamados livros, “A Obscena Senhora D”.
Sobre Hilda Hilst
Hilda Hilst escreveu por quase cinquenta anos e deixou um vasto legado, com mais de quarenta títulos, envolvendo poemas, ficções, dramaturgias e crônicas. Sua escrita é densa, revoltosa, árdua em uma tentativa contínua de entendimento do sentido da vida e da morte, ao mesmo tempo em que, para Hilda, servia também de instrumento para comportar-se de maneira esdrúxula diante dessa relação paradoxal entre o escritor e a obra.
Intensa e provocadora, é sem dúvida uma das mulheres mais fortes da nossa literatura, nunca aceitou ficar à sombra destinada às mulheres pela sociedade de sua época. Mesmo escrita há 40 anos, sua obra e as referências trazidas pela sua biografia se fazem atuais e necessárias nos dias de hoje.
Serviço
Espetáculo: A Obscena Senhora H – Paixão e Obra de Hilda Hilst
Datas: 7, 8 e 9 de agosto de 2026
Horários: sexta e sábado, às 20h I domingo, às 19h
Local: Teatro da Cidade – Rua da Bahia, 1.341 – Centro – Belo Horizonte
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Mais informações: linktr.ee/aobscenasrah
Ficha técnica
Criação: Juarez Guimarães Dias e Luciana Veloso
Atuação: Luciana Veloso
Dramaturgia e Encenação: Juarez Guimarães Dias
Direção de Movimento: Sitaram Custódio
Direção de Produção: Janine Avelar
Cenografia: Juarez Guimarães Dias
Design de Luz: Bruno Cerezoli
Figurino: Andreia Gomes
Preparação Vocal: Ana Hadad
Trilha Sonora Original e Design de Som: Daniel Nunes
Fotografias: Guto Muniz, Marília Fiuza e Matheus Soriedem (identificadas nas fotos)
Redes Sociais: Mayra Castro
Assessoria de Imprensa: Glenda Souza



