A inteligência artificial já deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma ferramenta estratégica na modernização do setor público. No Brasil e em diversos países, governos vêm utilizando IA para automatizar processos, reduzir burocracias, aumentar a eficiência administrativa e melhorar a experiência do cidadão nos serviços públicos. É sob esta perspectiva que Magno Maciel, CEO da X-Via, uma das maiores vozes em IA no país atualmente, se apresenta no Almoço Empresarial – Tecnologia e Inovação, organizado pelo LIDE Minas Gerais na cidade de Nova Lima, nesta terça-feira 15.

 

Dados do governo federal mostram que o Brasil já possui 182 soluções de IA em operação só no Poder Executivo Federal, enquanto 144 órgãos públicos planejam adotar assistentes baseados em inteligência artificial nos próximos anos. Além disso, 41 órgãos federais já possuem diretrizes específicas para governança e uso ético da tecnologia. Governos estaduais e municipais pelo país também começam a adotar a tecnologia.

 

Na prática, a IA já vem sendo aplicada em áreas como saúde, segurança pública, justiça, arrecadação fiscal, atendimento ao cidadão e gestão administrativa. No Espírito Santo, por exemplo, o governo estadual apresentou resultados concretos do uso da tecnologia em diferentes secretarias, com ganhos de produtividade, eficiência operacional e transparência. Um dos projetos capixabas, liderado pela empresa X-Via, ganhou ainda mais relevância porque voltou atenção para a melhoria e agilidade no atendimento de pessoas com deficiências.

 

Foco no cidadão

 

O uso de inteligência artificial já vem transformando a forma como o cidadão interage com o Estado. Entre os exemplos, estão a concessão automatizada de benefícios sociais a partir da análise cruzada de bases de dados, reduzindo fraudes e acelerando a aprovação; sistemas de reconhecimento facial para validação de identidade em serviços digitais, eliminando a necessidade de deslocamentos presenciais; e assistentes virtuais que orientam o cidadão em tempo real, diminuindo filas e o tempo de atendimento em órgãos públicos.

 

A tecnologia também permite que governos antecipem demandas. Com análise preditiva, é possível identificar padrões de uso em áreas como saúde e educação, direcionando recursos de forma mais eficiente — por exemplo, prevendo picos de atendimento em unidades públicas ou ajustando a oferta de serviços conforme o comportamento da população. Em áreas fiscais, algoritmos ajudam a detectar inconsistências e aumentar a eficiência na arrecadação, ao mesmo tempo em que reduzem a burocracia para o contribuinte.

 

Atualmente presente em estados como Alagoas, Espírito Santo, Mato Grosso, Pernambuco e Piauí, a X-Via desenvolve soluções que centralizam serviços públicos em interfaces digitais acessíveis por smartphones, promovendo eficiência, transparência e melhor experiência para o cidadão. A plataforma combina identidade digital única, autenticação segura, login unificado e integração entre órgãos públicos, criando uma jornada mais simples e fluida para usuários e gestores.

 

À frente da operação, o CEO Magno Maciel destaca o papel estratégico da inteligência artificial nesse processo. “A digitalização do setor público exige mais do que tecnologia — requer uma base estruturada, interoperável e segura, capaz de sustentar serviços em escala. É nesse contexto que a X-Via se posiciona, apoiando governos na construção de uma infraestrutura digital consistente e orientada ao cidadão”, afirma. Ele acrescenta: “A inteligência artificial já é um vetor decisivo de produtividade. Queremos acelerar sua adoção de forma ética e com impacto real na gestão pública”.

 

Inteligência artificial pelo mundo

 

Estudos internacionais indicam que até 84% das atividades governamentais podem ser automatizadas ou parcialmente automatizadas, gerando economia de bilhões em recursos públicos e redução significativa de fraudes e erros. No Brasil, experiências já mostram ganhos concretos: projetos com IA podem reduzir custos operacionais em até 30% e aumentar a produtividade em até 40% em processos administrativos públicos.

 

No Judiciário, ferramentas inteligentes ajudam a analisar processos, identificar padrões e acelerar decisões em meio a um volume superior a 80 milhões de ações. No Executivo, aplicações incluem desde sistemas de previsão de evasão escolar até detecção de irregularidades fiscais e monitoramento de riscos climáticos. Um caso emblemático é o uso de IA pelo Tesouro Nacional, que reduziu o tempo de classificação de despesas de dias para apenas 8 horas com 97% de precisão. Além disso, já existem 182 soluções de IA em operação no governo federal, mostrando que a adoção está em expansão.

 

“Ao reduzir custos, aumentar a eficiência e melhorar a qualidade dos serviços, a IA permite que governos façam mais com menos — e melhor. O grande desafio agora não é tecnológico, mas de escala e governança: ampliar o uso dessas soluções de forma ética, integrada e centrada no cidadão, garantindo que os ganhos de eficiência se traduzam em melhores serviços públicos e maior confiança nas instituições”, afirma Maciel, que também é Head de Inteligência Artificial do LIDE.

 

No cenário internacional, a Estônia é o exemplo mais avançado de governo digital orientado por dados e IA. O país disponibiliza 99% dos serviços públicos de forma online, com forte integração entre sistemas e uso intensivo de inteligência artificial.

 

Um dos projetos mais emblemáticos é o “robô-juiz”, que automatiza decisões em causas de baixo valor, reduzindo a carga do Judiciário e acelerando a resolução de conflitos. Esse modelo demonstra como a IA pode não apenas melhorar a eficiência, mas também redefinir a forma como o Estado se relaciona com o cidadão — com mais rapidez, transparência e previsibilidade.

 

Sistemas de IA, como chatbots e assistentes virtuais, permitem atendimento 24 horas, com respostas mais rápidas e personalizadas. Um exemplo é o chatbot “Boti”, de Buenos Aires, que realizou mais de 58 milhões de atendimentos em um ano, ampliando o acesso da população aos serviços públicos. Em outros casos, como nos Estados Unidos, o uso de assistentes inteligentes reduziu em 35% o tempo de resposta e aumentou em 50% a resolução de demandas. Na prática, isso significa menos filas, menos burocracia e maior satisfação do cidadão.

 

IVO

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