sábado, março 2, 2024
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CURA – Circuito Urbano de Arte encerra sua sétima edição entregando quatro novas obras para Belo Horizonte

Lambe de arte digital NFT encerra a temporada que também teve a participação do mais jovem artista no festival, a presença do povo Maxakali e a primeira empena assinada pelo MST

A 7ª edição do CURA – Circuito Urbano de Arte ocupou a praça Praça Raul Soares, no centro de Belo Horizonte, durante pouco mais de dez dias. Com seu encerramento, quatro obras permanecem, somando-se a outras 22 já entregues em edições passadas.

Pedro Neves, que com 21 anos é o mais jovem artista a assinar uma empena para o festival, Sueli Maxakali, Willand e o coletivo do MST – Movimento dos Trabalhadores sem Terra têm agora sua arte como parte do horizonte da capital mineira.

O festival, que se despediu com um apoteótico show de Matheus Aleluia, também promoveu uma grande instalação na praça da artista baiana Selma Calheira e segue reverberando atrás do recém lançado catálogo e loja online.

 

Lançamento Catálogo

O catálogo CURA – 2017/2020 reconta a história do CURA – Circuito Urbano de Arte, festival de arte pública de Belo Horizonte, Minas Gerais e um dos mais importantes da América Latina. Por meio de 16 artigos de 17 autores convidados para refletir sobre os vários pontos de contato e tensão entre arte e o espaço urbano.

Dividido em 3 partes, CIRCUITO traz 5 artigos que contextualizam o festival na história de Belo Horizonte e também no cenário de arte urbana nacional e internacional; URBANO traz 5 catálogos que se debruçam sobre a história da arte urbana de Belo Horizonte, seus diversos territórios; de ARTE apresenta 6 autores que vão refletir sobre arte urbana, pixação, arte brasileira feita por indígenas e como o CURA tem a ver com tudo isso.

Além dos 16 artigos, o catálogo traz fotos de todas as obras que compõem o acervo do Circuito Urbano de Arte de Belo Horizonte e a transformação dos mirantes Sapucaí e Lagoinha entre os anos de 2017 e 2020, ao longo de 5 edições do festival.

À venda na loja online.

 

Loja

A partir de uma grande demanda do público do festival, o CURA virou marca. Com muito cuidado foram pensados produtos que levam a essência do conceito do festival. O catálogo de produtos está aqui https://loja.cura.art

Realização: Cura – Circuito Urbano de Arte

Produção: Agua – Agência Urbana de Arte
Patrocínio Master: Beck’s Beer e Cemig
Patrocínio: New Holland, Hermes Pardini e Pottencial Seguradora

Incentivo: Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Belo Horizonte, Lei Estadual de Incentivo a Cultura de Minas Gerais, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo

 

 

Os artistas e as obras

PEDRO NEVES

Nascido em Imperatriz, no Maranhão, Pedro mudou-se para Betim com a família aos sete anos. Aos vinte, começou a pintar a partir de um álbum de família, presságio de uma trajetória atravessada por questões relacionadas à identidade, às raízes e à vivência de um passado que é continuamente projetado no presente.

Sua primeira empena, concebida para o Edifício Copacabana, localizado no número 89 da Praça Raul Soares, será pintada em uma superfície de mais de 433 metros quadrados. Em uma feliz coincidência, é possível visualizá-la a partir do ponto de ônibus onde Pedro esperou, tantas vezes ao longo de sua juventude, pelo transporte que o levaria de volta para casa.

Ao tocar nas traduções do elemento terra, o Cura toca também em alguns corpos. Corpos que ocupam terreiros, corpos em quintais estafados no chão aberto em horta, pés descalços da capoeira bailando sobre a terra.

A terra oferece refúgios no brincar, na oração e no percurso desenhado pelo alimento – da origem até a boca. Esta é a representação que Pedro Neves carrega em sua obra, tecendo uma imensa simbologia da presença de quem cresce através da terra.

Sempre descalços, seus personagens pisam num solo que transborda em cores, matizando as almas e evocando memórias de quem deixou a terra de origem em busca de novos caminhos.

 

 

Edifício Copacabana 

Praça Raul Soares, 89

Centro, Belo Horizonte

Área Total: 433,75 m²

Dimensões: 41,1 metros de altura por 11,8 metros de largura

 

SUELI MAXAKALI

Nascida em Santa Helena de Minas, Sueli é uma liderança dos Tikmũ’ũn, povo indígena que habita a região compreendida entre os atuais estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. É também realizadora audiovisual, educadora e fotógrafa que registra e difunde rituais e tradições ancestrais, fortalecendo a luta pelos direitos dos povos originários.

Em sua obra, Sueli Maxakali sugere que olhemos para o Brasil profundo, que façamos uma viagem em direção ao nosso próprio interior, reconhecendo aquilo que transcende e ganha potência no encontro com a terra, consigo mesmo e com o outro.

No Cura 22, a artista traduz em imagens a presença e as experiências de um povo que há incontáveis gerações vive e cuida da terra, convidando-nos a perceber e a compartilhar o seu olhar, a conversar com a sua cultura e a refletir coletivamente sobre os elementos naturais.

Os Maxakali referem-se a si mesmos como Tikmũ’ũn, uma combinação dos termos tihik, que significa homem, e mu’un, que tem o sentido de grupo e inclusão. Na tradução para a língua portuguesa, essa ideia pode ser comunicada com três letras: NÓS.

 

 

Edifício Roma 

Avenida Paraná, 466

Centro, Belo Horizonte

Área Total: 601,5 metros quadrados

Dimensões: 60,4 metros de altura por 10,7 metros de largura 

 

 

WILLAND

Um recado da cultura ballroom para Belo Horizonte. É assim que Willand, artista não-binária e dançarina de vogue fem e new way, define a obra de sua autoria selecionada através da Convocatória de Lambe do Cura 22.

Nascida e criada no Aglomerado da Serra, Willand sempre foi apaixonada pela dança. Ainda em seus anos escolares, dedicou-se ao hip hop e, a partir de 2019, começou a estudar vogue, uma expressão artística inspirada na cena ballroom surgida na década de 60 no bairro do Harlem em Nova York. Na época, drag queens afro descendentes e latinas   buscavam visibilidade e reconhecimento em um ambiente dominado por drags brancas.

Depois de participar do projeto Crypto/Serrão, que buscava trazer artistas periféricos para o mundo da criptoarte, Willand montou seu primeiro trabalho online, com exibição marcada para setembro em um museu digital do metaverso.

Segundo a artista, o lambe que será afixado na fachada do Hotel Sorrento tem o objetivo de gerar estranheza, curiosidade e interesse na cultura ballroom, levando um recado muito forte para as pessoas e para a cidade através das marcas e das corpas da comunidade LGBTQIA+.

 

Hotel Sorrento

Praça Raul Soares, 354

Centro, Belo Horizonte

Área Total: 28,5 metros quadrados

Dimensões: 3,8 metros de altura por 7,4 metros de largura

 

MST – MOVIMENTO RURAL DOS TRABALHADORES SEM TERRA

A questão da terra estrutura a desigualdade social no Brasil. E para falar sobre a terra, é imprescindível ouvir aqueles que cuidam dela. Há 38 anos, o Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra vem propondo um outro projeto para o campo através da luta pela terra, pela reforma agrária popular e pela transformação social.

Com o objetivo de construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde todes tenham direito e acesso à educação, saúde, moradia, comida e trabalho, o MST desenvolve experiências germinais de processos transformadores.

Suas atividades são pautadas pela agroecologia, pelo plantio solidário, pela segurança alimentar, pela proteção e reprodução de sementes crioulas, pela formação e educação política dos trabalhadores do campo, pela preservação e fortalecimento das culturas, e pelo entendimento da arte e da criatividade enquanto potência para intervir e mudar o mundo.

No Cura 22, o MST pintará uma empena do Edifício Rochedo, localizado nas proximidades do Mercado Central. O layout é resultado de um processo coletivo que buscou enfatizar a importância das relações entre o campo e a cidade, sempre mediadas pela luta pela terra, pela questão alimentar e pela diversidade dos sujeitos da luta.

 

Edifício Rochedo

Rua dos Goitacazes, 470

Centro, Belo Horizonte

Área Total: 489 metros quadrados

Dimensões: 36,1 metros de altura

 

Sobre o Cura

O Circuito Urbano de Arte realizou sua sexta edição em 2021/22, completando 22 obras de arte em fachadas, empenas e também no chão, sendo 18 na região do hipercentro da capital mineira e quatro na região da Lagoinha, formando, assim, a maior coleção de arte mural em grande escala já feita por um único festival brasileiro.

Idealizado por Janaina Macruz, Juliana Flores e Prisicila Amoni, o CURA também presenteou BH com o primeiro e, até então único, Mirante de Arte Urbana do mundo na Rua Sapucaí.

 

Serviço 

CURA – Circuito Urbano de Arte 7ª edição

Realização: Cura – Circuito Urbano de Arte

Local: Praça Raul Soares

https://cura.art

https://www.instagram.com/cura.art/

Leo Junior
Leo Juniorhttps://viralizabh.com.br
Bacharel em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário UNA, graduado em Marketing pela Unopar e pós graduado em Marketing e Negócios Locais e com MBA em Marketing Estratégico Digital, é um apaixonado por futebol e comunicação além de ser Jornalista certificado pelo Ministério do Trabalho.
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