sexta-feira, abril 19, 2024
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16a CneBH apresenta o cinema latino-americano e reflete sobre quais as imagens da sua internacionalização?

"Cinema latino-americano: quais são as imagens da internacionalização?" é a temática da 16a edição da Mostra, que exibirá filmes de vários países do continente e vai debater seus efeitos nos olhares de espectadores ao redor do globo; programação gratuita será entre 20 e 25 de setembro

De volta ao presencial depois de dois anos de realização online, a CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o evento de cinema da capital mineira, chega a sua 16a edição de 20 a 25 de setembro, em 11 espaços da capital mineira.  A programação é oferecida gratuitamente ao público e reúne atividades para todas as diades – sessões de cinema com filmes nacionais e internacionais, em pré-estreias e mostras temáticas, Mostrinha, sessões cine-escola, debates, rodas de conversa, performance, atrações artísticas e a realização do  Brasil CineMundi – 13th Internacional Coproduction Meeting, o evento de mercado do cinema brasileiro que reúne dezenas de profissionais da indústria audiovisual com a participação de mais de 10 países.

A retomada física da CineBH foi planejada para apresentar um novo viés conceitual da mostra: o de celebrar e refletir a produção latino-americana, trazendo para o Brasil seus irmãos de continente e colocando-os em contato direto com olhares vários que poderão constatar a efervescência da produção que marca o território. A curadoria deste ano tem coordenação geral de Cleber Eduardo, que atuou na equipe formada por Camila Vieira, Marcelo Miranda, Ester Fér, Maria Trika e Pedro Butcher.

Para esta edição da CineBH de sangue latino, a temática proposta é Cinema latino-americano: quais são as imagens da internacionalização?”. A questão foi levantada para trazer ao debate a complicada relação entre o que se faz nos filmes de continente e aquilo que efetivamente chama atenção nas telas do mundo ­– e o quanto de “legitimação” por várias instâncias (festivais, circuitos de exibição, canais de TV e streaming) é necessário para determinados títulos furarem a bolha.

“A pergunta que está contida na temática nos parece reverberar um contexto no qual parte significativa dos filmes que circulam internacionalmente tem coprodução com países de fora da América Latina, em busca da abertura de novos mercados. Devemos pensar os benefícios concretos e custos simbólicos dessa internacionalização, feita às vezes a partir de códigos de criação em nome da aceitação mais digerível para uma elite da cultura”, aponta Cleber Eduardo. “Essas questões são ainda mais urgentes quando há imagens negativas do continente consumidas frequentemente mundo afora por meio dos noticiários que ressaltam a instabilidade dos americanos abaixo dos EUA, com suas turbulências políticas, violências sociais, policiais e cotidianas, crises econômicas e maus tratos à democracia”.

Diante desse cenário, diversas perguntas foram surgindo das conversas curatoriais e que serão levadas para sessões, debates e rodas de conversa da Mostra: há condições do cinema feito de Norte ao Sul do continente, entre o México e o Uruguai, não depender tanto de bênçãos exteriores? Há desejo e viabilidade de a internacionalização dos filmes latino-americanos ampliarem os diálogos, os negócios, os pensamentos e o reconhecimento de afinidades por dentro do conjunto de países, assumindo suas diferenças de formação histórica e de circunstâncias contemporâneas, mas sem perder de vista as potências de ser um bloco continental? Em que medida se apoiar em possibilidades financeiras da Europa e da Ásia viabiliza filmes cuja identidade é latina apenas para ser vitrine no mundo? E qual o papel do Brasil nessa geopolítica continental na qual ele está invariavelmente inserido (por motivos geográficos e históricos), mas às vezes parece tão distante?

Para a curadora Camila Vieira, essa relação entre o que se faz e o que se vê, ou como se vê, é fundamental num momento em que tanto se discute o excesso de  imagens e as representações. “Em que momento podem algumas temáticas se esgotar e serem substituídas por outras? Há tão poucos filmes brasileiros distribuídos nos cinemas do mundo que mesmo curadoras profissionais não fazem ideia do que seria uma imagem do país. Talvez a imagem que se tenha diz mais sobre o país em si do que sobre o cinema, e aí tem a ver com construção de imaginários, que perpassam todos os filmes latino-americanos que estamos abordando aqui”, destaca ela.

Uma das principais referências da curadoria nas proposições de 2022 foi o clássico “As Veias Abertas da América Latina”, livro do uruguaio Eduardo Galeano, publicado originalmente nos anos 1970 e ainda relevante no debate geopolítico e social da região. Foi dali que Cleber Eduardo e equipe retiraram alguns encaminhamentos importantes para se compreender que o continente vive numa eterna fissura e que o cinema pode ser um caminho tanto de reconexão quanto de percepção das singularidades de cada país e cada imaginário. “Na prática, a história, as economias e políticas da América Latina nunca foram exitosas na criação de um bloco amplo e coeso, de modo a criar caminhos de emancipação da dependência em relação a países mais fortes economicamente”, diz o curador.

No mergulho pelos filmes, a curadoria identificou imagens de reverberação dos processos colonizatórios e de conduta das diferentes nações, fazendo de um diverso conjunto cinematográfico a conjunção de dramaturgias e narrativas da dor, das perdas e dos sofrimentos de personagens vulneráveis, em vidas com riscos de morte, ausências estruturantes e excesso de desafios a vencer para se manter vivo de modo digno. “Acossados e violentados por diferentes forças destrutivas, como o narcotráfico, os exploradores das riquezas naturais, os braços armados do Estado e da sociedade civil, o machismo arraigado e a subserviência aos poderes econômicos, essas vidas de cinema na América Latina refletem as vidas  mais difíceis de cada país e eventualmente reagem com a fuga ou com o confronto, quando uma reação é possível”, completa Cleber Eduardo.

Os filmes da Mostra Latino-Americana, então, vão refletir todas essas ideias, assim como os encontros com realizadores, produtores, diretores e críticos durante o evento. Filmes de países já tradicionais em festivais de cinema, como Argentina e México, estarão ao lado de outros que têm menos presença no circuito, como Venezuela, Cuba, Paraguai, EquadorCosta Rica, Uruguai, Colômbia Bolívia. Na maior parte, são longas-metragens que se viabilizaram a partir de parcerias internacionais especialmente com fundos europeus, o que se conecta diretamente ao Brasil CineMundi, que acontece no âmbito da programação da Mostra. Outros, porém, surgiram de guerrilhas internas, em alguns casos até mesmo desafiando a ordem institucional vigente. “As veias latino-americanas sempre estiveram e continuam a estar abertas, mas agora com a ambição de, nos melhores casos, devolver as violências em formas artísticas, digerindo as agressões de séculos e de dias corridos e contra-atacar com um cinema no qual os limites não podem estar decididos de fora para dentro”, define a curadoria.

Apresentamos, a seguir, a  seleção de 15 filmes latino-americanos que integram a Mostra Continente da 16a CineBH:

 

SELEÇÃO DE FILMES LATINO-AMERICADOS | MOSTRA CONTINENTE

 

FILME DIREÇÃO PAÍS DE ORIGEM E COPRODUCAÇÃO
A Outra Forma

(La Outra Forma)

Diego Guzmán Colômbia, Brasil
Aurora Paz Fábrega Costa Rica, México
Ao Oriente

(Al Oriente)

José María Avilés Equador, Argentina
As Férias de Hilda

(Las vacaciones de Hilda)

Agustín Banchero Uruguai, Brasil
Boreal Federico Adorno Paraguai, México
Borom Taxi Andrés Guerberoff Argentina
Casa Vazia Giovani Borba Brasil
Coração Azul

(Corazón Azul)

Miguel Coyula Cuba
Eami Paz Encina Paraguai, Argentina, México, Estados Unidos, Alemanha, França, Países Baixos
Eu e as Bestas

(Yo y Las bestias)

Nico Manzano Venezuela
Noites Alienígenas Sérgio de Carvalho Brasil
Nudo Mixteco Ángeles Cruz México
O Grande Movimento

(El Gran Movimiento)

Kiro Russo Bolivia, França, Suíça e Qatar
Uma névoa que desaparece

(Entre La Niebla)

Augusto Sandino Colômbia, República Tcheca, Noruega
Utama Alejandro Loayza Grisi Bolívia, Uruguai, França

 

Acompanhe o programa Cinema Sem Fronteiras 2022.

Site oficial: www.cinebh.com.br e www.brasilcinemundi..com.br

No Instagram: @universoproducao

No Youtube: Universo Produção

No Twitter: @universoprod

No Facebook: brasilcinemundi/cinebh / universoproducao

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Informações pelo telefone: (31) 3282-2366

 

SERVIÇO

16a CINEBH – MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE BELO HORIZONTE

13º BRASIL CINEMUNDI – INTERNACIONAL COPRODUCTION MEETING

20 a 25 de setembro de 2022

 

LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA

LEI ESTADUAL DE INCENTIVO À CULTURA

ESTE EVENTO É REALIZADO COM RECURSOS DA LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA DE BELO HORIZONTE

Patrocínio: MATER DEI

Parceria Cultural: SESC EM MINAS

Apoio: EMBAIXADA DA FRANÇA NO BRASIL, INSTITUTO GOETHE, PROJETO PARADISO

Idealização e realização: UNIVERSO PRODUÇÃO

SECRETARIA ESPECIAL DE CULTURA | MINISTÉRIO DO TURISMO

Leo Junior
Leo Juniorhttps://viralizabh.com.br
Bacharel em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário UNA, graduado em Marketing pela Unopar e pós graduado em Marketing e Negócios Locais e com MBA em Marketing Estratégico Digital, é um apaixonado por futebol e comunicação além de ser Jornalista certificado pelo Ministério do Trabalho.
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