No Casca, a casca da mexerica vira maionese para o tonkatsu de berinjela, as cascas de frutas cítricas entram na gremolata do steak do dia e o pato rende três preparos: o coração no espeto, a carne na paçoca e o restante num glace. No copo, o coquetel Casca nasce de um fermentado das próprias cascas. O bar de cozinha autoral dos chefs Pedro Barros e Victor Zuliani abre no bairro Carmo, em Belo Horizonte, e aproveita na cozinha o que a maioria dos restaurantes descarta.

Os pratos se organizam em fritos, frios e brasa. Entre os fritos está a patanisca de siri com aioli de coentro. Os frios, como o escabeche de coração de alcatra, vêm acompanhados do pão da casa. Da brasa saem o polvo com salsa de kimchi, a couve-flor com chilli crunch e os espetos. Não há prato principal: tudo vai para o centro da mesa, com valores de R$30 a R$78.

Fermentação, cura, conservação e defumação sustentam esse cardápio, que cruza referências asiáticas, latino-americanas e europeias sobre produto brasileiro, de fornecedores locais e da estação.

Pedro Barros cozinha desde 2011. Formou-se em gastronomia e aprendeu a técnica nos balcões de sushi. Trabalhou com frutos do mar no litoral de Santa Catarina e, de volta a Belo Horizonte, passou pelo Glouton e pelo Nico Sanduíches. Em 2020, abriu o Majuma, sua primeira casa própria. Victor Zuliani trocou a engenharia pela cozinha e soma mais de dez anos de ofício. Esteve na equipe de abertura do Nicolau Bar da Esquina, ficou à frente do Taika Bar e foi chef executivo do Montê e do Terraço Niê. Amigos de longa data, os dois já tinham cozinhado juntos no Nicolau e no Majuma. O Casca é o primeiro restaurante dos dois.

No bar, a carta autoral leva a assinatura de Diego Kruz e usa os mesmos fermentados, xaropes e conservas que saem da cozinha. É o caso do Zezé, de vodca, manteiga noisette e alho negro, e do Sobrio Sour, sem álcool, de koso de vinagrete e limão. A cerveja tradicional chega na garrafa de 600 mililitros, no clima de boteco.

A seleção de sidra nasceu de uma pesquisa de Pedro Barros por Portugal, Espanha e Holanda, que o levou a mapear produtores dentro e fora de Minas. São cinco rótulos: três mineiros, o Aparesidra, o Enaltesidra e o Manza; um carioca, o Evva; e um paulista, o Çã.

O salão tem 62 lugares em torno da cozinha aberta. Uma vidraça separa o cliente do fogo, e as banquetas altas do bar aproximam ainda mais quem senta ali.

 

Serviço

Casca, bar de cozinha autoral

Rua Outono, 579, Carmo, Belo Horizonte

Inauguração: quarta-feira [confirmar a data]

Funcionamento: quarta e quinta, 18h às 23h; sexta, 18h à 0h; sábado, 17h à 0h. A cozinha fecha 30 minutos antes.

Redes sociais: @casca_bar

IVO

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