quarta-feira, junho 12, 2024
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Casa Fiat de Cultura convida público a experimentações com obras de arte na exposição Pilotis, de Katia Wille

Expondo pela primeira vez em Belo Horizonte, artista retrata o universo feminino em obras coloridas e instalações que poderão ser tocadas e vestidas

A fluidez de formatos e o universo dos corpos femininos são evocados na nova exposição da Casa Fiat de Cultura. Em “Pilotis”, a artista carioca Katia Wille explora suas criações enquanto instrumentos de expansão de espaços, de forma e de sentimentos, provocando o visitante a ter novas e diferentes percepções, em uma experiência de interação com as obras. Em uma explosão de cores, as 70 obras – que transitam pelos campos da pintura, da escultura em tecido e de instalações – fazem alusão ao movimento dos corpos femininos, em composição com a natureza, além de suscitar respostas emocionais no espectador. “Pilotis” tem curadoria de Flavia Corpas e fica em cartaz na Casa Fiat de Cultura entre 20 de setembro e 30 de outubro de 2022. Na abertura, no dia 20 de setembro, o visitante poderá participar de uma visita guiada e um bate-papo com Katia Wille, das 19h30 às 20h30, mediante inscrição pela Sympla (bit.ly/BatePapoKatiaWille).

Após um longo período de introspecção coletiva, provocada pela pandemia, se faz necessária a reelaboração do viver. É neste cenário que Katia Wille navega, para fazer emergir uma coesão de corpos, pinceladas e formas que são, ao mesmo tempo, leves, complexas e coloridas. As obras apresentam inúmeras nadadoras, em alusão a um intenso período em que Katia fez um mergulho profundo sobre seu percurso pessoal e artístico – trajetória que já tem mais de 20 anos. Na movimentação pela galeria, será possível acompanhar as transformações de contornos das mulheres retratadas. Algumas obras mostram o corpo da mulher, que vai se despindo, sai da água e chega ao ar, até restarem apenas as toucas de natação.

“Na arquitetura, pilotis é um conjunto de colunas que sustentam uma obra, deixando o pavimento térreo livre. É um permeio entre o dentro e fora”, destaca a artista Katia Wille. A exposição é um convite às problemáticas e às inquietações da artista em movimentos que, assim como no pilotis, perdem a definição de contornos. As obras se compõem e decompõem de forma contínua, abordando a ambiguidade tão característica do momento em que vivemos atualmente. Além da arquitetura, que conversa fortemente com o ar modernista de Belo Horizonte, a mostra tem um diálogo bastante próximo com a filosofia , psicanálise  e até inspirações literárias.

Além das telas, a exposição conta com as Trans_Figuras, uma espécie de escultura em tecido; I.N.E.U.B. (isso não é uma bolsa), obras feitas a partir de bolsas recicláveis de supermercado, com uma série de intervenções;  I.N.E.U.V. (isso não é uma veste), obras feitas para vestir; além de seus vários cadernos de artista. O intuito é proporcionar ao visitante mais interação com a mostra, a partir da experimentação de alguns objetos. “Quero que a obra se expanda para além do espaço, de diversas formas, e penetre o corpo como um todo, pelos olhos, pelos ouvidos, pelos poros, e que, com potência, mas de mansinho, nos invada por inteiro”, analisa Katia, ao falar sobre as obras interativas.

Em meio à flora e aos sentidos da cidade natal da artista – o Rio de Janeiro –, “Pilotis” se inspira na atmosfera de um bloco fictício de Carnaval, fazendo explodir cores que traçam representações do feminino em constante metamorfose. “A metáfora sempre incompleta do feminino e a exuberância que nos encanta o olhar, vela e revela, no furta-cor, nos pedaços de corpos, nas sobreposições de camadas em cores, a estranheza que pode nos acometer todas as vezes que nos perguntamos sobre nossa posição no mundo. O que fazer? O que dizer? O que pintar?”, indaga a curadora Flavia Corpas.

A gestora cultural da Casa Fiat de Cultura, Ana Vilela, destaca a relevância da mostra para o público e para a instituição. Inovação, participação ativa do público e construção de conhecimento são pilares importantes da nossa dinâmica de programação. “Na exposição “Pilotis” reunimos todos esses conceitos para construir uma experiência de arte inédita e disruptiva. Em vez dos tradicionais avisos de não toque, vamos instigar as pessoas a tocar e a vestir as obras, por meio de práticas sensoriais singulares.”

A exposição “Pilotis” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Conta com o patrocínio da Fiat, do Banco Safra e da Usiminas, e co-patrocínio do Grupo Colorado. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, além do apoio do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil, do Instituto Usiminas, da Âme e da Delfim Produções.

Sobre as obras

A exposição “Pilotis” é composta por 70 obras, incluindo quadros em acrílica sobre tela, e objetos em acrílica sobre tecido. O percurso expositivo e a curadoria destacam a afirmação e a esfacelação do corpo, partindo do próprio momento introspectivo da artista que, após uma trajetória de 20 anos, revisitou seus trabalhos para criar esse novo projeto.

Katia Wille começou no ramo da moda e só depois ingressou no campo das artes visuais. Mas essas referências estão presentes em seu trabalho. “A exposição é como um bordado que vai para trás para ir cerzindo para frente”, analisa.  Questões relacionadas ao feminino e à busca pela essência e transformação permeiam pinturas e objetos em movimentos totalmente integrados às cores. Há o intenso uso de furta-cor, permitindo que as obras mudem a tonalidade, ao longo do dia, de acordo com a incidência da luz.  Sobre a flora, Katia destaca que muitas obras apresentam uma Espada de São Jorge. “Você não tem certeza se elas estão dentro da floresta ou engolidas pela floresta”, explica.

Laboratório do sentir

Um dos grandes destaques da exposição é o chamado “Laboratório do sentir”. No espaço, o visitante encontrará obras interativas, como as I.N.E.U.B‘s (isto não é uma bolsa), feitas a partir de bolsas recicláveis. “Eu desfaço a bolsa, pinto e vou fazendo uma série de interferências. Uma metáfora sobre algo que tem várias vidas”, reflete a artista. Já as I.N.E.U.V‘s (isto não é uma veste) poderão ser vestidas pelos visitantes e, assim, ganhar novos sentidos. “A obra é uma coisa quando está em exposição e se transforma ao ser vestida. O próprio corpo se transforma, já que também vira obra”, comenta Katia.

Ainda no “Laboratório do sentir”, haverá uma instalação com os cadernos de artista de “Pilotis”. O visitante poderá ver, de perto, etapas do processo de criação, referências e diversos aspectos criativos do trabalho de Katia, também com uma profusão de cores e formatos. Segundo a artista, os cadernos sempre foram um ponto de partida para tudo o que ela faz: “Neles abro o meu mundo interno e me autorizo a me abrir ao mundo externo cada vez que eles são folheados e tocam alguém. Eu mesma ainda me surpreendo com eles, porque os olho sempre dos seus variados ângulos.”

Em uma tentativa de fazer as pessoas se abrirem a novas formas de sentir (e de expressar esse sentir), os cadernos se apresentam como um diálogo entre a artista e os visitantes, que poderão experimentar um pouco da visão de Katia e, assim, de despirem de suas próprias certezas. “Engraçado como esse pequeno objeto desperta significados nas pessoas, muitas já me disseram ter um desejo incontrolável de possuir os cadernos ou de fazer algo parecido, eles parecem despertar uma vontade enorme de ser parte do mais íntimo do artista”, revela Katia.

O visitante terá a chance de criar uma dessas peças, transformando a exposição. Chamados de cadernos de percurso, eles vão reunir depoimentos, fotos e desenhos do público, em mais uma experiência de interação. “Estes cadernos serão o testemunho da experiência vivida na exposição. A pausa para fotografar, refletir e documentar todo o percurso do sentir as obras de arte nos coloca no momento presente e faz parte da volta à vida”, explica Katia. Esse será um ateliê aberto permanente, em que o visitante poderá expressar suas experiências em todo o período de exposição.

Parceria acadêmica com a UEMG

A Casa Fiat de Cultura estabeleceu uma parceria com a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), abrindo espaço para que estudantes do curso de Artes Visuais – Licenciatura, da Escola de Design, possam vivenciar o Laboratório do Sentir como extensão das atividades acadêmicas, na “perspectiva da formação do professor-artista-pesquisador”, conforme as palavras da Coordenadora do curso, Patrícia Pinheiro de Souza.

Foram selecionados 4 alunos que receberão formação e acompanhamento do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura para atuarem como catalisadores do processo de interação entre os visitantes e as obras de arte. “Queremos promover cada vez mais novas possibilidades de sinergia entre a produção artística e acadêmica. Ao transformarmos os espaços expositivos em um campo estimulante e criativo de experiências e elaboração de conhecimento, estamos expandindo também a dimensão de uma sala de aula ” ressalta Ana Vilela.

Visita guiada e bate-papo de abertura

A arte, enquanto instrumento de expansão de espaços, de formas e de sentimentos, converge-se aos corpos e eles se tornam um. Nesse sentido, Katia Wille cria seu trabalho, desenvolvendo obras únicas e multissensoriais.

Os bastidores, as inspirações, as vivências e o processo de escolha das obras que compõem a mostra “Pilotis” serão compartilhados em uma troca de experiências entre o público e a artista. O encontro será realizado presencialmente no hall da Casa Fiat de Cultura e contará, ainda, com uma visita guiada pela exposição com a presença da artista Katia Wille. Os interessados, podem se inscrever, gratuitamente, pela Sympla (bit.ly/BatePapoKatiaWille).

Katia Wille

Katia Wille é artista visual e pesquisadora. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Ao longo de seu percurso, que transita entre os campos do design têxtil e moda até as artes visuais, Katia trabalha a imagem de forma convulsionada, com foco em um corpo que se movimenta incessantemente, aparecendo e desaparecendo ao olhar, “polutropias” que esgarçam a forma ao seu limite e criam uma certa presença, que convida o espectador a se sentir banhado pela obra. Seu foco é desencadear uma resposta emocional no público, engajando espectadores a penetrar sensorialmente na imagem. Seu trabalho inclui pinturas, instalações cognitivas e esculturas vestíveis.

Flavia Corpas

Flavia Corpas é psicanalista e curadora independente de artes visuais. Possui pós-doutorado em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Doutora em Psicologia Clínica pela PUC-RJ, foi docente do Curso de Especialização em acessibilidade cultural da UFRJ. No Museu de Arte Moderna de São Paulo, ministra o curso Arte e Psicanálise. Organizadora do livro “Arthur Bispo do Rosário: arte além da loucura”, do crítico de arte Frederico Morais e curadora das exposições “Walter Firmo: um olhar sobre Bispo do Rosário”, “Quase Aqui”, do artista Daniel Senise e “Reflexivos”, do artista Iran do Espírito Santo.

A Casa Fiat de Cultura

A Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural brasileiro, ao realizar prestigiadas exposições. A programação estimula a reflexão e interação do público com várias linguagens e movimentos artísticos, desde a arte clássica até a arte digital e contemporânea. Por meio do Programa Educativo, a instituição articula ações para ampliar a acessibilidade às exposições, desenvolvendo réplicas de obras de arte em 3D, materiais em braille e atendimento em libras. Mais de 60 mostras, de consagrados artistas brasileiros e internacionais, já foram expostas na Casa Fiat de Cultura, entre os quais Caravaggio, Rodin, Chagall, Tarsila, Portinari entre outros. Há 16 anos, o espaço apresenta uma programação diversificada, com música, palestras, residência artística, além do Ateliê Aberto – espaço de experimentação artística – e de programas de visitas com abordagem voltada para a valorização do patrimônio cultural e artístico. A Casa Fiat de Cultura é situada no histórico edifício do Palácio dos Despachos e apresenta, em caráter permanente, o painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. O espaço integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Mais de 3,5 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 580 mil participaram de suas atividades educativas. 

SERVIÇO

Exposição “Pilotis”, na  Casa Fiat de Cultura
Período expositivo: 20 de setembro a 30 de outubro de 2022
Visitação presencial: terça-feira, das 10h às 21h; quarta a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Tour virtual no site: www.casafiatdecultura.com.br

Abertura da exposição: visita guiada e bate-papo com Katia Wille
20 de setembro, das 19h30 às 20h30, no hall da Casa Fiat de Cultura no YouTube
Ingressos gratuitos com inscrição pela Sympla: https://bit.ly/BatePapoKatiaWille

Casa Fiat de Cultura
Circuito Liberdade
Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Horário de Funcionamento
Terça-feira, das 10h às 21h
Quarta a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h

Informações
(31) 3289-8900
www.casafiatdecultura.com.br
casafiatdecultura@stellantis.com
facebook.com.br/casafiatdecultura
Instagram: @casafiatdecultura
Twitter: @casafiat
YouTube: Casa Fiat de Cultura

Leo Junior
Leo Juniorhttps://viralizabh.com.br
Bacharel em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário UNA, graduado em Marketing pela Unopar e pós graduado em Marketing e Negócios Locais e com MBA em Marketing Estratégico Digital, é um apaixonado por futebol e comunicação além de ser Jornalista certificado pelo Ministério do Trabalho.
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