Há 25 anos, o Teatro em Movimento aproxima o público mineiro de alguns dos espetáculos mais relevantes da cena brasileira. Essa dimensão histórica ganha eco em “Olhos nos Olhos”, monólogo em que a atriz Ana Lúcia Torre transforma o palco em uma espécie de sala de visitas íntima. Aos 80 anos de vida e 60 de carreira, ela revisita memórias pessoais, afetivas e políticas por meio das letras de Chico Buarque — não cantadas, mas ditas como dramaturgia viva. O roteiro com texto e direção de Sergio Módena,  costura a vida da atriz com a história recente do Brasil. Ela revisita sua infância, o início no teatro, seu exílio na Europa e sua prisão e perseguição durante a ditadura militar. A montagem, que recebeu a indicação de Melhor Atriz no  Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte),  chega a Belo Horizonte de 25 a 27 de setembro de 2026, sexta e sábado às 20h, e domingo às 19h, no Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas. Os ingressos estão à venda pelo https://bileto.sympla.com.br/event/120345 .

Ao logo de sua trajetória, o Teatro em Movimento vem transformando a relação de gerações com o teatro e consolidando-se como uma das iniciativas de circulação cultural mais consistentes do país. Em um tempo em que a continuidade de projetos culturais se tornou rara, o programa celebra um quarto de século reunindo arte, memória, pensamento e encontro humano — dimensões que se revelam de forma especialmente potente na chegada de “Olhos nos Olhos” à capital mineira, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú. “Mais do que apresentar temporadas teatrais, o Teatro em Movimento construiu, ao longo de duas décadas e meia, um patrimônio afetivo e simbólico junto ao público. O projeto ajudou a formar plateias, aproximou artistas fundamentais da cena brasileira do espectador mineiro e consolidou uma relação rara de confiança curatorial. O público sabe que, quando o Teatro em Movimento anuncia um espetáculo, existe um compromisso com excelência artística, relevância cultural e permanência. Trazer Ana Lúcia Torre e sua atuação arrebatadora é o reflexo exato de tudo o que construímos até aqui”, destaca Tatyana Rubim, idealizadora do Teatro Em Movimento.

As críticas referentes a “Olhos nos Olhos” publicadas em importantes veículos culturais destacam a potência de encontro entre memória individual e memória brasileira. Em diferentes leituras jornalísticas, chamou atenção a forma como a vida de Ana Lúcia Torre se mistura à própria história recente do Brasil, atravessando transformações políticas, afetivas e culturais de várias gerações. Outro aspecto ressaltado pela crítica é a ousadia de retirar as canções de Chico Buarque de suas melodias originais para revelar novas camadas dramatúrgicas de suas letras. Ao ouvir textos consagrados fora do formato musical, o público redescobre personagens, dores, ironias e afetos que permanecem profundamente contemporâneos. Também repercute de maneira intensa o caráter íntimo da montagem. Críticos destacaram a sensação de confidência criada entre atriz e plateia, como se o espetáculo abrisse espaço para uma conversa franca sobre amor, maternidade, resistência, passagem do tempo e paixão pela arte. Sem excessos e sem artifícios, a encenação aposta na presença, na escuta e na verdade cênica.

Olhos nos Olhos 

A narrativa de “Olhos nos Olhos” traz algumas das mais marcantes letras compostas por Chico Buarque. No entanto, as músicas na peça não serão cantadas, e sim faladas, como um texto dramático, revelando novas camadas de interpretação de sua obra e uma sensação de redescoberta de pérolas de um dos mais importantes compositores de todos os tempos. “Sempre me fascinou o Contador de História. Ouvir é um ato de aprendizagem, uma inquietação do espírito, uma escuta que traz curiosidade. E assim, de repente, me vejo na posição de Contadora de História. Da minha história. Resolvi abrir minhas portas e esperar que o público visite a minha casa. Tudo acompanhado de poemas de Chico Buarque”, convida Ana Lúcia.

Ana Lúcia e Chico são artistas da mesma geração (ele completará 82 anos em junho de 2026), viveram e testemunharam as mesmas transformações políticas, sociais e comportamentais acontecidas no Brasil e que repercutem até os dias de hoje. Suas trajetórias profissionais já se cruzaram algumas vezes. O primeiro musical de que Chico participou, Morte e Vida Severina, tinha Ana Lúcia no elenco. Anos mais tarde, ele compôs a canção Suburbano Coração para o espetáculo de mesmo nome, onde ela também estava em cena. Assim, a obra do compositor se ajusta perfeitamente às memórias e reflexões da atriz.

Neste espetáculo vibrante e revelador, que também conta com a participação do pianista Diógenes Junior, letras de canções icônicas de Chico conduzem Ana Lúcia na interpretação de temas variados como amor (Olhos nos OlhosAtrás da PortaTatuagem), política (CáliceApesar de Você) e sociedade (CotidianoGeni e o ZepelimMeu Guri), entre outros, com os grandes sucessos do compositor sendo apresentados de uma forma totalmente inédita.

Olhos nos Olhos é um espetáculo que estabelece uma ligação íntima entre a atriz e o público. “Pra mim o espetáculo é como uma conversa olho no olho com Ana Lúcia Torre, como se estivéssemos na sala de sua casa ouvindo suas histórias de vida. Ela fala sobre amor, separação, resistência, esperança, maternidade, a paixão pela arte e outros tópicos. É o retrato de uma grande atriz, mas também, em certa medida, do nosso país. E tudo entremeado com as letras de Chico Buarque, nesse exercício de abdicar de suas melodias para descobrir uma nova maneira de apresentá-las ao público”, observa o diretor Sergio Módena.

A produção de “Olhos nos Olhos” é da Morente Forte, que também comemora 40 anos de atuação no teatro. “Selma Morente e eu estamos em êxtase! Não apenas por celebrarmos 40 anos de trabalho diário pelo fazer teatral, nossa grande paixão, mas por fazermos isto com esta produção de altíssima qualidade humana, artística e técnica. Novamente a parceria com Sergio Módena, na direção e dramaturgia inspirada nas letras do poeta maior Chico Buarque. E sobretudo, sorver, absorver toda a maestria da amiga Ana Lúcia Torre, assim, olhos nos olhos”,  pontua Célia Forte, sócia da Morente Forte.

Sinopse 

Para celebrar seus 80 anos de vida e 60 de carreira, a atriz Ana Lúcia Torre divide com o público memórias e reflexões em um espetáculo vibrante, revelador e cheio de emoção, em que fala letras de diversas músicas icônicas de Chico Buarque, com participação do pianista Diógenes Junior. Quem assiste se identifica com os temas essenciais que compõem a narrativa, como arte, amores, separações, maternidade, resistência, sociedade e o tempo. Letras de clássicos como Meu GuriBeatrizGeni e o ZepelimValsinhaAtrás da Porta e Olhos nos Olhos, entre muitas outras, compõem o roteiro repleto de delicadeza e bom humor.

Ficha Técnica:
Ana Lúcia Torre em Olhos Nos Olhos, com letras de Chico Buarque; Dramaturgia e Direção: Sergio Módena; Direção Musical: Pedro Lobo; Pianista: Diógenes Junior; Cenário: André Cortez; Figurino: Fábio Namatame; Iluminação: Gabriele Souza; Assistente de Direção: Mariana Rosa; Contrarregra e Camareiro: Toninho Pita; Operador de Som: Valdilho Cruz; Coordenação de Comunicação: Beth Gallo; Programação Visual: Gustavo Wabner; Fotos de Estúdio e Cenas: Priscila Prade; Social Media: Isabella Pacetti; Assistência Administrativa: Alcení Braz; Assistente de Produção: Carol Ariza; Administração: Magali Morente; Coordenação de projetos: Egberto Simões; Produtoras Associadas: Ana Lúcia Torre, Selma Morente e Célia Forte; Uma produção Morente Forte Produções Teatrais; Realização em Belo Horizonte: Teatro Em Movimento, por meio da Lei Rounet, com patrocínio do Itaú; Produção: Rubim Produções; Assessoria de imprensa: Luz Comunicação – Jozane Faleiro

Ana Lúcia Torre – atriz

Nascida em São Paulo, começou a atuar quando estudava na PUC-SP, integrando o elenco de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, montagem com direção de Silnei Siqueira. Em seguida, passou sete anos na Europa e só retomou a carreira em 1975, na volta ao Brasil. Já em 1977, participou da novela Dona Xepa. São dezenas de trabalhos em novelas e seriados desde então, além de filmes e peças como Eles Não Usam Black Tie (indicada para o Prêmio Governador do Estado/RJ) e Seria Cômico Se Não Fosse Sério, de Dürrenmatt, que lhe rendeu a indicação de melhor atriz ao Prêmio Shell de 2010. Foi contemplada com o Prêmio Mambembe duas vezes: pela mesma peça de Dürrenmatt e por Rasto Atrás, de Jorge Andrade. Foi premiada nos festivais de cinema de Natal, Brasília e CineSesc, além do APCA de Coadjuvante por seu papel na novela A Indomada. Durante sete anos, integrou o elenco das montagens do Grupo TAPA. Dentre seus trabalhos no teatro, destaque para Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O’Neal, direção de Sérgio Módena (2022); Num Lago Dourado, de Ernest Thompson, direção de Elias Andreato (2017); Como se Tornar uma Mãe Judia em 10 lições, de Paul Fuks, direção de Alexandre Reinecke (2011); Arsênico e Alfazema, de T. Kesslring, direção de Alexandre Reinecke (2004); e Norma, de T. Carvalho e D. Castellar, direção de Tonio Carvalho (2002).

Sergio Módena – dramaturgia e direção

Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp, é também formado pela École Philipe Gaulier em Londres, onde realizou especializações em Shakespeare, Tchecov e Melodrama. Seus trabalhos mais recentes como diretor são: A Falecida, de Nelson Rodrigues; Longa Jornada Noite Adentro, de Eugene O’Neill; Copacabana Palace – O Musical, de Ana Velloso e Vera Novello (direção em parceria com Gustavo Wabner); As Cangaceiras Guerreiras do Sertão, musical de Newton Moreno; Os Grandes Encontros da MPB, de Pedro Brício; Diários do Abismo, de Maura Lopes Cançado; Estes Fantasmas!, de Eduardo De Filippo; Janis, de Diogo Liberano; Os Vilões de Shakespeare, de Steven Berkoff; O Musical da Bossa Nova, de Rodrigo Faour e Sergio Módena; Esse Vazio, de Juan Pablo Gomez; Como Me Tornei Estúpido, adaptação da obra de Martin Page feita por Pedro Kosovski; Ricardo III, de William Shakespeare; e A Arte da Comédia, de Eduardo De Filippo. Seus espetáculos receberam mais de quarenta indicações e vinte cinco prêmios nas principais premiações do país.

Diógenes Junior – pianista

É pianista, regente, compositor e ator. Estudou música com foco em piano na UNESP e teatro no SENAC. Com ampla experiência em teatro musical participou de produções como A Pequena Sereia, Wicked (2023 e 2025), Beetlejuice, Alice de Cor e Salteado, Iron – O Homem da Máscara de Ferro, Kiss Me Kate (como ensaiador), Elas Brilham, Cantando na Chuva, Legalmente Loira, Dreamgirls e Hairspray.

Morente Forte Produções Teatrais

Há 40 anos, Selma Morente e Célia Forte são sócias da Morente Forte Comunicações, empresa especializada em produção na área cultural, com foco exclusivo nas artes cênicas, difundindo e assessorando o setor. Fundada em 1985, a empresa já participou de quase 4.000 espetáculos teatrais ao longo de suas quatro décadas no mercado, consolidando-se como uma das mais atuantes do segmento. Com um portfólio diversificado que vai de musicais de grande porte a montagens intimistas, a Morente Forte construiu uma trajetória marcada por solidez, inovação e parceria com alguns dos maiores artistas e diretores do país.

Teatro Em Movimento
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo, praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então, contabiliza 280 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 402 mil pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa, produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim

Serviço:

Teatro em Movimento apresenta “Olhos nos Olhos”

Duração: 75 minutos   Gênero: drama   Classificação: 12 anos

Datas: 25 a 27 de setembro de 2026, sexta a domingo

Local: Teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas – Rua da Bahia 2244, Lourdes

Valor dos ingressos: a partir de R$ 48,00
Link da bilheteria: https://bileto.sympla.com.br/event/120345

Informações: @teatroemmovimento

Redes sociais Teatro Em Movimento: 

Instagram: https://www.instagram.com/teatroemmovimento

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