No dia 16 de maio, sábado, Belo Horizonte recebe mais uma edição da Noite da Libertação – Festa dos Pretos Velhos que acontece a partir das 18h na Praça Treze de Maio, bairro Silveira, Belo Horizonte.

Realizada há 43 anos, reúne 40 centros de umbanda da capital mineira e região metropolitana e representante de diversos costumes e tradições de matrizes afro-brasileiras, celebrando a cultura dos povos de terreiros na luta por respeito e dignidade. Muitos dos Pretos-Velhos que trabalharam na Umbanda foram escravos quando chegaram ao Brasil – daí a ligação com a luta pela libertação do povo negro.

A festa, que foi tombada em 2019 como Patrimônio Imaterial de Belo Horizonte, é, sobretudo, um manifesto do povo negro pelo seu direito de existir e, assim, realizar suas manifestações culturais.

“Homenageamos nossos Pretos-Velhos, nossos guias espirituais, mas também é uma oportunidade de alertar para os ataques constantemente sofridos pelas religiões de matriz africana até hoje”, explica Pai Ricardo de Moura, diretor da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) – organizadora do evento; e da Reunião Umbandista Mineira.

Segundo Pai Ricardo, o 13 de maio significa muito mais que a abolição da escravatura no Brasil. “Foi o dia em que a Princesa Izabel assinou o documento que libertava o povo negro por aqui, mas a luta começou bem antes. Desde que os primeiros negros entraram no navio vindos para o Brasil, a luta já existia. A princesa foi importante, mas a gente sempre lutou”, comenta.

“Essa luta pela liberdade sempre existiu, não podemos marcar o 13 de maio como o ápice, entende? Todo dia a luta pela liberdade é um ápice! Então é muito importante a gente entender que o que é celebrado não é o ato da princesa, tem muito mais coisas envolvidas nisso, muito mais lutas abolicionistas, de negros abolicionistas e de outras pessoas também. E é importante dizer que lutamos até hoje, porque muitas vezes ainda somos aprisionados. As novas formas de escravidão estão por toda a parte, por isso precisamos fazer do dia 13 de maio um dia de recordar como se luta, como se busca a nossa liberdade”, explica.

O diretor da CCPJO continua: “Há mais de 40 anos, o povo de axé de Belo Horizonte ocupa esse espaço para homenagear os ancestrais que foram escravizados, que resistiram e lutaram por todos. Cabe a nós continuar essa batalha diariamente”.

Uma grande distribuição de alimentos é o ponto alto da festa. “Oferecemos comidas como broa, canjica, feijão tropeiro, feijão de carreteiro, café, biscoito de forno de lenha, coisas que eram comuns na época dos Pretos Velhos e distribuímos gratuitamente para todos”, explica Pai Ricardo. Além disso, a festa promove uma feira de empreendedores com venda de comidas, bebidas e artesanato.

A festa recria no espaço público o ritual que é realizado dentro dos terreiros. Os centros de Umbanda se reúnem na praça recebendo o público com atabaques, incensos, cantigas, orações, comidas típicas e passes, tudo distribuído gratuitamente.

Todo o local é limpo e cuidado antes e depois do evento. “Não queremos deixar uma praça suja para incomodar os vizinhos no dia seguinte. A Umbanda é natureza, temos que preservar o ambiente onde estivermos”, diz.

A Noite da Libertação – Festa dos Pretos Velhos é realizada pela CCPJO em parceria com o Movimento Social Negro, Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira, e o RUM (Reunião Umbandista Mineira). Conta com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte.

Serviço ___________________________________
Noite de Libertação – Festa dos Pretos Velhos
Data:
 16 de maio, sábado
Horário: das 18h às 22h
Local: Praça 13 de Maio, Bairro Silveira, BH
Evento gratuito

IVO

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