A safra de 2026 tem confirmado uma virada importante no mapa da vitivinicultura brasileira. Em um ano marcado por condições climáticas mais desafiadoras na Serra Gaúcha, a Serra do Sudeste, especialmente na região de Encruzilhada do Sul, se destacou com maior volume e qualidade de uvas por mais tempo, reforçando seu potencial como um dos principais terroirs do país para vinhos tintos.
Corriqueiramente, as uvas no sul do país são colhidas entre metade de janeiro e início de março, melhor época para que os frutos atinjam a maturidade fenólica mais aguardada, conferindo a dose de açúcar, coloração e taninos na medida certa para compôr bons vinhos.
Na avaliação da vinícola Lidio Carraro, a vindima deste ano na região pode ser considerada uma das mais equilibradas dos últimos ciclos. “A vindima de 2026 está sendo espetacular para nós por conta do clima. A uva está amadurecendo por completo por conta de termos tido períodos de temperatura mais amena, principalmente à noite, e amplitudes térmicas maiores. Assim, elas amadurecem mais lentamente e de forma mais completa”, destaca Juliano Carraro, diretor-comercial da vinícola.
Neste momento, a colheita avança com variedades como Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Malbec e Cabernet Franc, enquanto outras parcelas seguem no campo e devem ser colhidas até o final do mês, respeitando o ponto ideal de maturação de cada variedade.
Além da maturação plena, a safra também chama atenção pela concentração das uvas. “Muitas delas apresentam altos índices de polifenóis e açúcares, o que está resultando em vinhos com grande equilíbrio entre potência, álcool e acidez, o conjunto essencial para vinhos de alta gama e com grande potencial de envelhecimento”, aponta Giovanni Carraro, enólogo e diretor técnico da vinícola.
As condições climáticas ao longo do ciclo foram determinantes para esse resultado. Chuvas no início favoreceram uma brotação uniforme e com bom vigor. O tempo estável durante a floração garantiu excelente formação de cachos, com bagas homogêneas. Já a estiagem combinada com grande amplitude térmica contribuiu para reduzir o vigor das plantas, resultando em bagas menores, mais concentradas e com elevada sanidade.
Mesmo com registros pontuais de granizo em algumas áreas do estado, os vinhedos da Lidio Carraro não foram impactados. Na Serra do Sudeste, o fenômeno ocorreu de forma isolada e, nas propriedades da vinícola, não houve incidência, em parte devido ao uso de sistemas de proteção.
O desempenho da Serra do Sudeste em 2026 reforça uma tendência observada nos últimos anos: a região tem se consolidado como alternativa consistente à Serra Gaúcha, especialmente para a produção de tintos estruturados. Com clima mais seco, maior amplitude térmica e ciclos mais previsíveis, Encruzilhada do Sul tem entregado regularidade e qualidade, atributos cada vez mais valorizados na construção de vinhos de identidade e longevidade.



