O Projeto Humaitá Cultura realiza, no dia 22 de fevereiro, o Cortejo de Carnaval do Humaitá, que encerra oficialmente o Carnaval de Belo Horizonte na Rua Pouso Alegre, no bairro Floresta, das 15h às 21h. O projeto tem patrocínio da Belotur.
Ativo desde 2017 na capital mineira, o Humaitá nasce de pesquisas e vivências no campo das culturas populares e tradicionais brasileiras e passou a ocupar as ruas no Carnaval a partir de 2019, articulando percussão, canto e dança como ferramentas de transmissão de musicalidade, história e resistência.
“Apostamos numa construção na qual o tocar anda lado a lado com a história, a geografia, bem como com a militância contra o racismo, a homofobia e qualquer espécie de injustiça, opressão ou discriminação. Nesse sentido, nos orgulhamos de ser agente cultural importante no país, contribuindo fortemente no processo de colocar BH como polo de circulação de mestres e mestras das culturas populares, tendo trazido mais de 40 mestres para apresentações, shows e vivências no último ano”, afirma Pedro Gontijo, coordenador do projeto.
O Cortejo de Carnaval do Humaitá marca também o início das inscrições para quem deseja integrar o projeto. Atualmente, o Humaitá reúne semanalmente cerca de 300 pessoas em oficinas regulares de percussão, canto e dança, além de encontros com mestres e mestras, sessões de cinema, shows e seminários, consolidando uma atuação contínua que se estende para além do período carnavalesco.
Tema e homenagem
O cortejo deste ano tem como tema Oyá, também conhecida como Iansã, orixá dos ventos, das tempestades e dos raios, associada ao movimento, às transformações e à presença dos ancestrais. Na tradição nagô, Oyá é a única orixá capaz de adentrar o ìgbàlè, espaço sagrado de culto aos Égún, dançando entre eles. Sua dança reproduz os movimentos do vento, seu mensageiro, e seu irukerê afasta os maus espíritos.
A celebração presta homenagem ao Afoxé Oyá Alaxé, referência histórica das culturas afro-brasileiras, com a participação da mestra Maria Helena Sampaio, fundadora, presidenta e cantora do grupo. Yalorixá do Terreiro de Mãe Amara, na zona norte do Recife, Maria Helena é ativista do movimento negro, mestra da cultura popular, musicista, bailarina nagô e arte-educadora. Pioneira, foi uma das primeiras mulheres a atuar publicamente com a percussão de terreiro e a primeira a fundar um afoxé no estado de Pernambuco, construindo uma trajetória marcada pela articulação entre espiritualidade, criação artística e atuação política.
De origem nagô, o Afoxé Oyá Alaxé tem sede no Pátio de São Pedro, no Recife, território histórico de resistência do povo negro. A palavra afoxé resulta da junção de ofó, som ou palavra de força, e axé, energia vital, configurando uma manifestação que leva o Candomblé para a rua a partir das tradições religiosas e culturais da comunidade de terreiro à qual pertence. Além de seus cortejos, o grupo atua como articulador de projetos sociais e de valorização da cultura negra, sempre orientado por uma perspectiva antirracista.
Serviço
Cortejo de Carnaval do Humaitá
Data: 22 de fevereiro de 2026 (domingo)
Horário: das 15h às 21h
Local: Rua Pouso Alegre, 521 – Floresta – Belo Horizonte (MG)
Participação gratuita.
Mais informações: https://www.instagram.com/humaitacultura/
As inscrições para integrar o Humaitá têm início no próprio dia 22 de fevereiro.





