Em nota divulgada nesta sexta-feira (30/01), a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirma ter cumprido “rigorosamente” o suposto “acordo” mencionado em reunião realizada no dia 7 de janeiro, informando que, ao longo do mês, teriam sido transferidos R$ 264.066.112,66 à rede SUS-BH.
Esses valores não refletem a realidade dos sete hospitais filantrópicos 100% SUS que integram o movimento Luto pela Saúde, uma vez que a PBH apresenta, de forma agregada e indevida, recursos destinados a toda a rede municipal de saúde de Belo Horizonte — que pode incluir desde hospitais até unidades básicas, UPAs e outros prestadores — como se correspondessem aos repasses devidos exclusivamente aos hospitais filantrópicos 100% SUS, sem qualquer discriminação dos valores efetivamente destinados a essas instituições. Essa prática distorce a informação, inviabiliza a verificação objetiva da alegação de cumprimento do suposto “acordo”, afasta a transparência que o tema exige e induz a sociedade e a opinião pública a erro, além de mascarar o grave risco assistencial imposto à população e ocultar os danos concretos à capacidade de atendimento hospitalar.
De acordo com os hospitais, o montante efetivamente recebido pelos sete hospitais filantrópicos 100% SUS em janeiro totaliza R$ 103.556.010,02, valor inferior ao que deveria ter sido repassado apenas neste mês às unidades hospitalares que concentram a assistência de média e alta complexidade da capital.
Os hospitais que integram o movimento Luto pela Saúde consideram grave e irresponsável a forma como a PBH tem se comunicado com a imprensa, ao destacar números globais sem transparência, omitir valores vencidos e ainda não pagos e diluir a crise específica dos hospitais 100% SUS em dados gerais da rede municipal, agravando os danos à assistência à saúde, aos serviços hospitalares e à população.
Nesta sexta-feira (30/01), o valor ainda em atraso com os hospitais filantrópicos 100% SUS soma R$ 87.523.506,62, comprometendo de forma severa a continuidade e a segurança da assistência hospitalar prestada à população.
O cenário já impacta diretamente os estoques de medicamentos, de OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais) de alta complexidade e de outros insumos essenciais à segurança dos pacientes. Dirigentes hospitalares alertam que, sem a regularização imediata e integral dos repasses, o colapso assistencial já instalado segue em agravamento, forçando a adoção de medidas técnicas e éticas extremas, como a restrição de novas internações, para preservar minimamente o atendimento aos pacientes já hospitalizados.
Além da quitação integral dos débitos vencidos, é indispensável que a Prefeitura de Belo Horizonte regularize e mantenha em dia os repasses correntes aos hospitais filantrópicos 100% SUS. Sem fluxo financeiro previsível, contínuo e transparente, não há condições de garantir assistência segura, regular e adequada à população.
Para assegurar total transparência à imprensa e à sociedade, a Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas) apresenta de maneira resumida a evolução da dívida da PBH e torna público o extrato detalhado dos valores em aberto da PBH, até a data de hoje, 30 de janeiro, discriminado hospital a hospital, permitindo o acompanhamento objetivo e preciso da situação enfrentada pelas instituições e demonstrando que os números divulgados pela Prefeitura não correspondem à realidade dos repasses aos hospitais 100% SUS.
Ao final do mês de dezembro de 2025, a PBH devia aos sete hospitais do Movimento Luto pela Saúde cerca de R$ 83 milhões. Ao longo do mês de janeiro de 2026, venceram novos repasses no valor aproximado de R$ 108 milhões. Com isso, somando as dívidas acumuladas em 2025 aos valores vencidos em janeiro de 2026, o total devido pela PBH aos hospitais do movimento alcançou R$ 191 milhões. Considerando que, até o dia 30 de janeiro, foram repassados aproximadamente R$ 103 milhões, a dívida com essas instituições ingressa no mês de fevereiro somando cerca de R$ 88 milhões. Esse valor não contempla os repasses referentes ao mês de fevereiro e aos meses subsequentes, que já se encontram em processo de vencimento.
Extrato detalhado dos valores em aberto da PBH, até 30 de janeiro de 2026:
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Santa Casa BH – R$ 30.219.135,19
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Hospital São Francisco – R$ 16.370.262,84
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Instituto Mário Penna – R$ 11.916.204,36
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Hospital Risoleta Tolentino Neves – R$ 9.413.107,74
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Hospital da Baleia – R$ 8.018.493,78
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Hospital Sofia Feldman – R$ 5.911.407,79
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Hospital Ciências Médicas (FELUMA) – R$ 5.674.894,92
A Federassantas e os dirigentes dos hospitais filantrópicos 100% SUS de Belo Horizonte reafirmam que o sistema hospitalar da capital já opera em colapso assistencial, com impactos diretos na segurança dos pacientes, na continuidade dos serviços e no direito da população ao atendimento pelo SUS, exigindo providências imediatas, concretas e transparentes por parte do Executivo Municipal.
Fonte para entrevista: Kátia Rocha – presidente da Federassantas