Ópera “Chica da Silva”

Datas: 19 (sábado), 21 (segunda-feira) e 23 de setembro (quarta-feira)
Horários: 19h no sábado, 20h na segunda e na quarta
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação  indicativa: Livre

Ingressos: R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada, à venda na plataforma Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento

Esqueçam o inesquecível! Esqueçam a Chica da Silva, em “O Romanceiro da Inconfidência” (1953), de Cecília Meireles. Esqueçam principalmente o enorme sucesso do filme “Xica da Silva” (1976), de Cacá Diegues, com seu humor quase infantil e insistente erotismo que levaram três milhões de pessoas aos cinemas e que acaba de ser restaurado. Esqueçam a contagiante – até hoje, 50 anos depois – música-tema do filme, assinada por Jorge Ben Jor e Roberto Menescal.  Esqueçam, como se fosse possível, os protagonistas do mesmo filme, Zezé Motta como a ex-escravizada – e “Rainha dos Diamantes” – Chica, e Walmor Chagas como seu “escravo sexual e amoroso”, o contratador de diamantes João Fernandes. Esqueçam ainda a novela “Xica da Silva” (1996), de Walcyr Carrasco, com Taís Araújo no papel principal. Reforçando, esqueçam o episódio sobre Chica da Silva em “O Romanceiro da Inconfidência”, mas lembrem-se da quase profecia de Cecília Meireles, no mesmo livro: “Ainda vai chegar o dia de nos virem perguntar: Quem foi a Chica da Silva, que viveu neste lugar”.

O dia chegou!

Continuando sua temporada de óperas de 2026, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) apresenta suas mais novas produções, espetáculos inéditos que recuperam, sob novas luzes, uma das principais personagens da história mineira: as óperas “Chica em Diamantina”, no dia 12 de setembro – onde “reinou” Chica da Silva, quando ainda era Arraial do Tijuco (ou Tejuco) – e “Chica da Silva”, com récitas nos dias 19, 21 e 23 de setembro, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes. As produções encomendadas pela FCS têm música de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone.

Participam das montagens os três corpos artísticos da FCS: Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico de Minas Gerais e Cia de Dança Palácio das Artes. As óperas têm direção cênica de Julianna Santos, direção musical e regência de André Brant, coreografia de Regina Advento, figurinos de William Rausch, cenários de André Cortez e iluminação de Wagner Pinto. A direção-geral é de Cláudia Malta, diretora artística da Fundação Clóvis Salgado.

A soprano Marly Montoni, uma das mais importantes de sua geração, interpreta o papel-título das óperas, enquanto o tenor Ewandro Stenzowski dá vida ao contratador João Fernandes, companheiro da protagonista em uma intensa e contraditória relação. Grande equipe e elenco se unem para trazer ao público uma nova visão da história de uma personagem já muito retratada: entre a lenda e a figura humana, qual é a real Chica da Silva?

Francisca da Silva de Oliveira, a Chica da Silva (ou Xica da Silva), é emblemática personagem do Brasil colonial do século 18, famosa por sua fulgurante ascensão social. Nascida escravizada, tornou-se uma das mulheres mais ricas e influentes da região de mineração de diamantes em Minas Gerais.

“Chica em Diamantina” e “Chica da Silva”, afastando-se da ficção, estão muito mais próximas do brilhante estudo histórico “Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes – O Outro Lado do Mito” (2003), da historiadora Júnia Ferreira Furtado, que separa os fatos reais da visão popular que sempre a pintou como mulher fatal e hipersexualizada.

“Bruxa, sedutora, heroína, rainha ou escrava: afinal, quem era Chica da Silva?”

Chica nasceu entre 1731 e 1735 no Arraial do Milho Verde (Serro). Ela era filha de Antônio Caetano de Sá, um militar português, com Maria da Costa, uma escravizada.  Em sua juventude, Chica é vendida ao médico Manuel Pires Sardinha, com quem tem seu primeiro filho, Simão Pires Sardinha.

Em 1753, Chica é comprada pelo desembargador João Fernandes de Oliveira, riquíssimo controlador da extração dos diamantes no Tijuco (Diamantina). Ele a alforria logo depois. Ainda que a Igreja e as leis coloniais proíbam seu casamento oficial, eles vivem em regime de concubinato estável durante 17 anos. Tiveram 13 filhos, todos reconhecidos pelo pai e portando seu nome, fato raro à época.

Em 1770, João Fernandes volta a Portugal para receber a herança do pai, levando consigo alguns de seus filhos homens, que receberam educação e ocuparam importantes cargos no Reino. Ele deixa para Chica imensa fortuna, uma grande casa (ainda hoje preservada) e numerosos escravizados. Chica utiliza sua riqueza para a educação dos filhos nas melhores escolas europeias e para casar suas filhas com homens brancos da elite local.

Ela morre no dia 15 de fevereiro de 1796. Consolidando sua integração à mesma elite branca, ela é enterrada no interior da igreja de São Francisco de Assis, privilégio então reservado às pessoas mais ricas e influentes. Afinal, quem foi, ou quem era, Chica da Silva? Uma rainha excêntrica que dominava seu amante por seus charmes e sensualidade ou uma mulher inteligente que soube utilizar as brechas jurídicas e econômicas do sistema colonial para se emancipar?

Um símbolo de rebelião, de liberdade para seu povo ou uma mulher integrada ao sistema, que chegou a possuir 104 escravizados sem libertar nenhum deles em seu testamento? Uma pária rejeitada pela alta sociedade ou uma respeitada dama, membra de fechadas irmandades religiosas como a de São Francisco do Carmo?

Sagaz, romântica, linda, aproveitadora, perdulária, apaixonada, sobrevivente, pragmática, vítima, algoz…  Mito? Qual a verdadeira Chica da Silva?

Chica da Silva não era uma abolicionista, nem uma simples sedutora, mas um perfeito exemplo de ascensão, em uma sociedade profundamente racista e patriarcal?  É o que as óperas “Chica em Diamantina” e “Chica da Silva” tentarão responder, tornando a mulher Chica, agora sim, eterna como os diamantes.

As óperas “Chica em Diamantina” e “Chica da Silva” são realizadas pelo Ministério da Cultura, Fundação Clóvis Salgado, Leleu Produções e Eventos e Fox Produções. As atividades da Fundação Clóvis Salgado têm a Cemig como mantenedora, Patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e do Grupo Fredizak, Patrocínio Prime do Instituto Unimed-BH e do Instituto AngloGold, Patrocínio Plus da Vivo e correalização da APPA – Cultura & Patrimônio. As ações são viabilizadas por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

FICHA TÉCNICA DA PRODUÇÃO

Equipe

Música original: Guilherme Bernstein

Libreto original: Marcos Bernstein e Flávia Bessone

Direção-Geral: Cláudia Malta

Direção Musical e Regência: André Brant

Concepção e Direção Cênica: Julianna Santos

Assistente de Direção Musical: Lucas Viana

Preparação do Coral Lírico de Minas Gerais: Maria Clara Marco Fernández

Assistência de Direção e Direção de Palco: Felipe Venâncio

Coreografia: Regina Advento

Cenografia: André Cortez

Figurino: William Rausch

Iluminação: Wagner Pinto

Produção-Executiva: Laenne Santos

Elenco

Chica da Silva (Soprano): Marly Montoni

João Fernandes (Tenor): Ewandro Stenzowski

Antonil Pereira (Baixo-barítono): Leandro Abreu

Bonifácio Antunes (Barítono): Santiago Villalba

Caetano Matoso (Tenor): Giovanni Tristacci

Costureira 1 (Soprano): Edna D’Oliveira

Costureira 2 (Soprano):  Andreia de Paula

Assunção do Brocado (Mezzosoprano): Edineia Oliveira

Costureirinha (Soprano): Indaiara Patrocínio

Menino Mensageiro: Isadora Ficher Fonseca

Rita, Filha de Chica (Soprano): Chiara Santoro

Ana, Filha de Chica (Mezzosoprano): Edileuza Ribeiro

Mucama 1 (Soprano): Edna D’Oliveira

Mucama 2 (Soprano): Andreia de Paula

Padre Antônio (Barítono): Lício Bruno

Zima (Soprano): Ariádna Fernandes

Adario (Tenor): Júlio Mendonça

Esposa 1 (Soprano): Indaiara Patrocínio

Esposa 2 (Soprano): Melina Peixoto

Esposa 3 (Mezzosoprano): Bárbara Brasil

Imagem de Chica 1 (Soprano): Andreia de Paula

Imagem de Chica 2 (Soprano): Edna D’Oliveira

Imagem de Chica 3 (Soprano): Edineia Oliveira

Tenor Colonial (Tenor): Júlio Mendonça

Serviço:

Ópera “Chica da Silva”

Datas: 19 (sábado), 21 (segunda-feira) e 23 de setembro (quarta-feira)
Horários: 19h no sábado, 20h na segunda e na quarta
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes

 

(Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação  indicativa: Livre
Ingressos: R$ 60 a inteira e R$ 30 a meia-entrada, à venda na plataforma Sympla, na bilheteria do Palácio das Artes e nos totens de autoatendimento

 

IVO

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