quarta-feira, setembro 2, 2026
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FLIMA 2026 revisita o passado para disputar os futuros da literatura

Festa Literária da Mantiqueira acontece de 3 a 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP), com Marcelo D’Salete como homenageado e programação que reúne literatura, quadrinhos, memória, ancestralidade, democracia, infâncias e diferentes linguagens artísticas

 

De que maneira o passado continua determinando o presente – e limitando ou ampliando os futuros que somos capazes de imaginar? É a partir dessa pergunta que a FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira realiza sua edição de 2026, entre os dias 3 e 7 de setembro, em Santo Antônio do Pinhal (SP). A programação reúne atrações como Sarau das Pretas, Michelliny Vernusch, Jeferson Tenório, Geni Nuñez, nina rizzi, entre outros autores e autoras que compõem a literatura brasileira em sua forma mais diversa e plural. 

Com o tema PASSADOPRESENTE, o festival reúne escritores, quadrinistas, artistas, pesquisadores, editores, educadores e profissionais do livro e da leitura em uma programação que atravessa literatura, memória, história, ancestralidade, política, infância e imaginação.

Em sua nova edição, a FLIMA e FLIMINHA – programação para as infâncias do festival – tem como homenageado o quadrinista, autor e professor Marcelo D’Salete, um dos principais nomes das histórias em quadrinhos brasileiras contemporâneas e vencedor do prêmio Eisner por Cumbe. A homenagem se estende à programação dedicada às infâncias, a FLIMINHA, reafirmando uma das principais apostas da edição: discutir como as histórias que escolhemos lembrar, contar e colocar nas mãos das novas gerações ajudam a construir as possibilidades de futuro.

A abertura, na quinta-feira (3), às 19h30, fica por conta de “Encontros de Realezas – Yabás”, espetáculo poético do Sarau das Pretas, que celebra dez anos de atuação da coletiva e reverencia as entidades femininas da cultura africana e afro-brasileira Nanã, Oxum, Iemanjá e Iansã.

Na sexta-feira (4), a programação do Auditório começa com Índigo Ayer e João Anzanello Carrascoza, em conversa sobre literatura juvenil, mediada por Penélope Martins. Às 17h, Fido Nesti e Sirlene Barbosa discutem a cidade como personagem das histórias em quadrinhos, a partir de obras que revisitam episódios da história social brasileira. À noite, Fabiana Carneiro e Ronaldo Vitor da Silva, com mediação de Maria Carolina Casati, abordam maternidade e maternagem a partir de Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves.

O sábado amplia o diálogo entre memória, literatura e formação. Depois da homenagem a D’Salete, Bethânia Pires Amaro e Micheliny Verunschk discutem ancestralidade e memória. Às 14h, Débora Alves, Isabel Lopes Coelho e Zeco Montes, mediados por Sandra Medrano, debatem os prazeres e desafios de editar literatura para as infâncias no Brasil.

A programação segue com Jeferson Tenório e Natália Zuccala, em uma conversa sobre subjetividades, raça, classe, pertencimento e formação; e, às 18h, Cidinha da Silva e Rosane Borges refletem sobre a escrita de mulheres negras, em uma mesa que aproxima literatura, escrevivência e insurgência.

No domingo, a FLIMA coloca em debate uma questão central para a democratização da literatura: quem consegue ter acesso aos livros e às condições necessárias para se tornar leitor? A discussão reúne Bel Santos Mayer e José Castilho, com mediação de Fabíola Farias.

Também passam pelo Auditório Chiara Gentile e Tarso de Melo, para conversar sobre poesia, linguagem e reinvenção de futuros; Jeovanna Vieira e Maria José Silveira, em uma reflexão sobre o tempo das relações; e Bruno Rodrigues de Lima e Cibele Tenório, que discutem a biografia como instrumento contra o apagamento histórico, recuperando as trajetórias de Luiz Gama e Almerinda Gama.

Às 18h, a vida e a obra de Elza Soares chegam ao festival na mesa “Elza Soares: a voz do feminismo negro”, com a autora Lígia Moreli e o músico Rômulo Fróes, mediados por Adriana Ferreira Silva.

O encerramento da programação do Auditório, na segunda-feira (7), também volta o olhar para as infâncias. Às 10h, Fabíola Farias e nina rizzi, com mediação de Bruno Souza, discutem censura, conservadorismo e os limites impostos aos temas considerados “adequados” para crianças. Às 11h30, Geni Núñez conversa com Jéssica Balbino sobre saberes ancestrais indígenas, descolonização dos afetos e outras possibilidades de pensar a vida em comunidade.

Às 15h, o Coletivo Clã do Jabuti encerra o festival com “Noite de brinquedo no terreiro de Yayá”, espetáculo inspirado em reisado, ancestralidade e rituais de passagem.

A escolha do homenageado

A escolha de D’Salete sintetiza o espírito de PASSADOPRESENTE. Sua obra revisita episódios e personagens apagados ou marginalizados pela historiografia oficial e utiliza os quadrinhos como ferramenta de investigação histórica, elaboração de memória e criação de outras perspectivas sobre o Brasil. Na FLIMA, o autor participa da mesa “Quadros da nossa história: uma homenagem a Marcelo D’Salete”, em conversa com Cristiane Tavares, no sábado (5), às 10h.

A programação parte justamente da compreensão de que memória não é apenas aquilo que ficou para trás. Ela também é território de disputa: define quais histórias permanecem, quais vozes são reconhecidas e quais experiências podem ser imaginadas pelas próximas gerações.

“PASSADOPRESENTE é uma palavra que não separa os tempos. A gente parte da ideia de que o passado está permanentemente em disputa e que aquilo que lembramos, apagamos ou recontamos interfere diretamente na maneira como construímos o presente e imaginamos o futuro”, afirma a curadoria da FLIMA.

 

Uma curadoria que pensa o tempo como território de disputa

Para pensar o PASSADOPRESENTE, a FLIMA 2026 também olha para quem constrói, pesquisa, provoca e imagina os caminhos da literatura no presente. Desde 2025, Cristiane Tavares, Maria Carolina Casati e Roberto Guimarães trabalham juntos na curadoria da FLIMA e da FLIMINHA, reunindo perspectivas distintas que se encontram na literatura, na educação, na memória, na ancestralidade e na possibilidade de fabular outros futuros. O trabalho iniciado no ano passado, em 2025, já aponta também para a próxima edição: o trio começou a pensar, em conjunto, os caminhos da FLIMA 2027.

Cristiane Tavares é professora e crítica literária, doutora em Educação (UNIFESP) e mestre em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP). Autora e organizadora de obras que aproximam literatura, educação e antirracismo, traz para a curadoria uma perspectiva que entende a leitura e a educação como espaços de disputa e transformação. Pensar o tempo, para ela, é também apostar na insurgência dos diálogos e na construção de relações mais equitativas.

Maria Carolina Casati é mulher negra, professora, escritora e doutora em Ciências pela EACH-USP. Curadora e mediadora de leitura, é idealizadora do Encruzilinhas, plataforma dedicada à difusão de textos e debates sobre negritude, gênero, feminismos e militância produzidos por mulheres negras e do Sul global. Sua perspectiva parte da possibilidade de experimentar coletivamente uma cosmopercepção ancestral do tempo espiralar e, a partir dela, fabular outras formas de existência.

Roberto Guimarães, idealizador da FLIMA e sócio-fundador da Livraria Mantiqueira, é jornalista, curador literário e empreendedor cultural. Foi no território da Serra da Mantiqueira que concebeu a festa, a partir do encontro entre literatura, paisagem e território. Sua atuação articula a experiência de quem criou o festival e acompanha, desde sua origem, as relações entre a literatura, a comunidade e o lugar que a acolhe.

É desse encontro de perspectivas que nasce a curadoria da FLIMA. Mais do que organizar uma programação, o trio vem construindo uma linha de pensamento que atravessa diferentes edições e pergunta o que a literatura pode fazer diante das violências, desigualdades e apagamentos que estruturam o Brasil. Em 2026, o PASSADOPRESENTE nasce desse exercício: olhar para o que se repete, recuperar o que foi apagado, interrogar o presente e buscar, na literatura e na arte, ferramentas para elaborar outras respostas e imaginar futuros que ainda não existem.

Fliminha: as infâncias no centro

Se a FLIMA pergunta o que o passado produz no presente, a Fliminha leva essa discussão para quem ainda está construindo sua própria relação com o mundo: crianças e adolescentes.

Mais do que uma programação infantil, a Fliminha 2026 é pensada como uma programação para as infâncias, com literatura, quadrinhos, ilustração, memória, formação de leitores, imaginação e diferentes experiências de criação.

A presença de Marcelo D’Salete como homenageado também se desdobra nesse território. O quadrinista participa de uma programação que parte da ideia de que crianças e adolescentes não precisam receber versões simplificadas do mundo. Podem ter acesso a narrativas complexas, diferentes perspectivas históricas e linguagens capazes de provocar perguntas.

Ao lado de D’Salete, a programação reúne nomes como Índigo Ayer, Nina Rizzi, Bel Santos Mayer, Zeco Montes, Débora Alves, José Castilho, Fabíola Farias, Isabel Lopes Coelho, Bruno Souza, Fido Nesti, João Carrascoza e Sirlene Barbosa, entre escritores, artistas, editores, pesquisadores, educadores e profissionais ligados ao livro e à leitura.

A programação dedicada às infâncias atravessa diferentes experiências: conversa sobre literatura juvenil, quadrinhos, edição de livros, formação de leitores, poesia, censura, ancestralidade e criação. A proposta é que crianças e adolescentes possam ler, ouvir, desenhar, perguntar, criar, discordar e inventar.

A reflexão ganha força especialmente na mesa “Isso não é assunto de criança?!”, com Fabíola Farias e nina rizzi, que discute o avanço das disputas ideológicas e da censura sobre livros destinados às crianças. A conversa parte de uma questão essencial: o que as diferentes concepções de infância revelam sobre aquilo que a sociedade considera que crianças podem ou não conhecer?

A Fliminha também propõe encontros com a produção literária contemporânea, com a presença de autores como Índigo Ayer e João Anzanello Carrascoza, além de atividades que aproximam literatura, imagem e memória.

A programação se conecta, assim, ao próprio conceito de PASSADOPRESENTE: as histórias oferecidas às crianças hoje também participam da construção do mundo que elas poderão imaginar amanhã.

Memória, democracia e futuro

Ao reunir quadrinhos, literatura, biografia, poesia, pensamento, música e experiências voltadas às infâncias, a FLIMA 2026 amplia a compreensão sobre o que pode ser uma festa literária.

A literatura aparece como forma de acessar o passado, mas também como ferramenta para interrogar o presente. Em diferentes mesas, o festival pergunta quem foi apagado da história, quem pode contar determinadas narrativas, como se constroem subjetividades, de que maneira o acesso ao livro interfere na democracia e o que acontece quando determinados temas passam a ser considerados proibidos.

A programação aproxima, ainda, diferentes gerações e campos de atuação. Estão no mesmo território escritores consagrados, autores contemporâneos, quadrinistas, pesquisadores, editores, professores, bibliotecários, artistas e novos leitores.

Essa diversidade está no centro da trajetória da FLIMA. Desde sua primeira edição, o festival promove encontros entre literatura, arte e educação e aposta em uma programação plural e democrática, com atividades para diferentes públicos. Nas seis primeiras edições, foram realizadas cerca de 500 atividades para crianças, jovens e adultos, reunindo mais de 100 mil participantes e convidados de diferentes áreas da literatura e da cultura.

Em 2026, a FLIMA volta à Serra da Mantiqueira para transformar Santo Antônio do Pinhal em território de encontros entre livros, histórias, imagens, memória e imaginação.

INGRESSOS

A programação da FLIMA 2026 é gratuita, mas para acompanhar as atividades é necessário fazer a retirada antecipada de ingressos. A retirada deve ser feita pelo site oficial do festival, onde também estão disponíveis a programação completa, os horários, os locais das atividades e as orientações para participação. Os ingressos são disponibilizados de acordo com a capacidade de cada espaço e, por isso, a recomendação é que o público faça a retirada com antecedência. Para conferir a programação e garantir os ingressos, acesse https://flima.net.br/programacao-2026.

SOBRE A FLIMA 2026

A FLIMINHA, programação infantojuvenil da FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira, é uma realização do Ministério da Cultura, da Bizu Estúdio e Editora e da Associação Literatura Viva. Conta com patrocínio, via Lei Rouanet, da Neoenergia, e apoio da Prefeitura Municipal de Santo Antônio do Pinhal.

A FLIMA e a FLIMINHA 2026 contam com apoio do Sesc São Paulo e das editoras Editacuja, Ação Editora, Hedra, Edições Sesc São Paulo e Veneta, além de parceria com o Festival MaisGastronomia. O festival conta ainda com apoio de mídia da Rádio CBN São José dos Campos e Vale do Paraíba e do Portal SP Rio+.

 

SERVIÇO — FLIMA 2026

FLIMA – Festa Literária da Mantiqueira
Quando: 3 a 7 de setembro de 2026
Onde: Santo Antônio do Pinhal (SP)
Informações: flima.net.br 

 


CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO AUDITÓRIO

 

QUINTA-FEIRA – 03/09  

 

ABERTURA

Quinta (3) – 19h30

ENCONTROS DE REALEZAS – YABÁS

Espetáculo poético em celebração aos dez anos de atuação da coletiva Sarau das Pretas

Apoio: Sesc São Paulo

 

Edição especial que reverencia as Yabás, entidades femininas da cultura africana e afrobrasileira. A palavra “Yabá” significa “mãe rainha” em iorubá. São mulheres belas, guerreiras, sábias e indomáveis. Grandiosas como os elementos da natureza que habitam. Em cena, as artistas apresentam um diálogo poético, sensível e potente com os arquétipos das Yabás Nanã, Oxum, Iemanjá e Iansã, abordando reflexões sobre os ciclos da vida, destacando situações vivenciadas por mulheres pretas na atualidade. O legado das Yabás é fundamental para a representação e representatividade das mulheres pretas, que se inspiram na força dessas divindades para enfrentar desafios e lutar por direitos.

 

SEXTA-FEIRA – 04/09  

 

SEXTA (4) – 15h

MESA 1 

LITERATURA JUVENIL: QUE PAPO É ESSE?

Índigo Ayer

João Anzanello Carrascoza

Mediação: Penélope Martins

 

Afinal, a quem se destina a chamada literatura juvenil? E como se dá o processo criativo de quem escreve especificamente para esse público leitor? Aliás, escreve-se literatura a partir de um leitor ideal? Para conversar sobre estes temas e outros mitos vinculados à literatura para jovens leitores, convidamos três autores com vasto conjunto de obras publicadas, estilos e percursos autorais distintos, que incluem premiada produção literária na literatura “para adultos”.


Lançamento de SETE BRUXAS E UM GATO GRUDADO (Índigo Ayer, Record) e TRAVESSIA (João Anzanello Carrascoza, ôZé)

 

 

SEXTA (4) – 17h

MESA 2 

TRAÇOS URBANOS: A CIDADE COMO PERSONAGEM DE HQ

Fido Nesti

Sirlene Barbosa

Mediação: Roberto Guimarães

 

Como as marcas da história aparecem nas histórias em quadrinhos? E o que tem de específico nessa linguagem que combina arte e texto que a torna especialmente potente para registrar a história social? Em “O Elemento”, HQ autoral do premiado quadrinista Fido Nesti, a estética noir e lisérgica que torna palpável a opressão e a paranoia da ditadura militar no final dos anos 1970 – ambientada no bairro paulistano da Liberdade, a trama policial tem como ponto de partida a descoberta de ossadas de indígenas e negros escravizados no antigo Cemitério dos Aflitos. Em “Carolina”, biografia da escritora Carolina Maria de Jesus, que tem roteiro de Sirlene Barbosa e arte de João Pinheiro, a linguagem visual é expressionista, mais crua, em preto e branco, estética que contribui para traduzir o peso físico da favela nos anos 1950/1960 e a força poética do texto da autora de “Quarto de Despejo” – aqui, o bairro do Canindé é personagem. Vistas em conjunto, as duas graphic novels ajudam a contar a história da cidade de São Paulo e do Brasil.

 

Lançamento de O ELEMENTO (Fido Nesti, Quadrinhos na CIA)

 

SEXTA (4) – 19h

MESA 3

ESCREVIVER A MATERNAGEM, MATERNAR A ESCREVIVÊNCIA

Fabiana Carneiro 

Ronaldo Vitor da Silva

Mediação: Maria Carolina Casati

 

“Um defeito de cor” é uma grande carta de Kehinde a seu filho Luiz Gama. Nesta mesa, Fabiana Carneiro da Silva, autora de “Ominíbú: maternidade negra em ‘Um defeito de cor’” (EDUFBA, 2019), e Ronaldo Vitor da Silva, coordenador do educativo da exposição “Um defeito de cor” (SESC Pinheiros), vão discutir os conceitos de maternagem e maternidade presentes na obra de Ana Maria Gonçalves – e para além dela. 

 

SÁBADO – 05/09

 

SÁBADO (5) – 10h

MESA 4 

QUADROS  DA NOSSA HISTÓRIA: UMA HOMENAGEM A MARCELO D´SALETE

Marcelo D´Salete conversa com Cristiane Tavares

 

O autor, ilustrador e professor Marcelo D´Salete é um dos mais importantes nomes da produção de histórias em quadrinhos e novelas gráficas no Brasil e no mundo, atualmente. Vencedor do prêmio Eisner (“o Oscar dos quadrinhos”), em 2018, com “Cumbe”, é o autor homenageado da Fliminha 2026. Nesta conversa, ele apresentará as bases éticas e estéticas de seu trabalho autoral, com destaque para Mukanda Tiodora, livro vencedor do Prêmio Jabuti (2023), indicado a Melhor Publicação de Quadrinho Internacional pelo Harvey Awards (2026).

 

SÁBADO (5) – 11h30

MESA 5 

FABULAR ANCESTRALIDADES: O QUE A MEMÓRIA CONSTRÓI? 

Bethânia Pires Amaro

Micheliny Verunschk 

Mediação: Maria Carolina Casati

 

Como retomar ancestralidades que foram negadas? Quem tem direito a contar a sua história? Qual o papel da memória na construção de si? A partir das suas obras, que se estruturam em diálogo com a História do Brasil, Micheliny Verunschk e Bethânia Pires Amaro conversam sobre essas e outras questões tão urgentes do nosso tempo. 

 

SÁBADO (5) – 14h

MESA 6

EDITAR LITERATURA PARA AS INFÂNCIAS: PRAZERES E DESAFIOS

Debora Alves

Isabel Lopes Coelho

Zeco Montes

Mediação: Sandra Medrano

 

Não é exagero afirmar que a literatura para as infâncias produzida no Brasil é uma das mais premiadas do mundo. Em torno dela, no entanto, ainda pairam preconceitos e desinformação, fazendo com que tenha menos destaque (e prestígio) entre a crítica e na maioria dos eventos literários. Convidamos editores de três diferentes gerações, com trajetórias distintas, para debater os prazeres e desafios de editar literatura para as infâncias no Brasil.

 

SÁBADO (5) – 16h

MESA 7 

PARA ALÉM DAS COTAS: SUBJETIVIDADES EM (TRANS)FORMAÇÃO 

Jeferson Tenório 

Natália Zuccala

Mediação: Gabriela Mayer

 

Em “De onde eles vêm”, seu mais recente romance, Jeferson Tenório traz a política de cotas para o centro do debate – no livro, acompanhamos os desafios de um jovem negro que ingressa e permanece na universidade nos anos iniciais da implementação da lei, enfrentando o racismo institucional e o elitismo acadêmico. Em “Ainda não”, de Natália Zuccala, o protagonista é um jovem bolsista no ensino médio de um colégio de elite que enfrenta as tensões de classe, raça e pertencimento ao ocupar um espaço escolar privilegiado. Em comum, os dois romances de formação lançam luz no que há de mais sensível nesse percurso: as complexas relações entre identidade e território  na construção da subjetividade de uma nova geração de brasileiros.

 

Lançamento de AINDA NÃO (Natália Zuccala, Todavia)

 

SÁBADO (5) – 18h

MESA 8

BORBOLETAS QUE INSURGEM: ESCRITA DE MULHERES NEGRAS 

Cidinha da Silva 

Rosane Borges

Mediação: Maria Carolina Casati

 

O que há de singular na escrita de mulheres pretas que a torna tão potente? Convidamos a jornalista e pesquisadora Rosane Borges e a escritora Cidinha da Silva, ativistas do movimento negro e intelectuais públicas, para refletir sobre como legado, escrevivência e insurgência se articulam na vigorosa produção literária e acadêmica de mulheres negras brasileiras. 

 

DOMINGO – 06/09 

 

DOMINGO (6) – 10h

MESA 9 

LITERATURA E DEMOCRACIA: LEITURA PARA TODOS?

Bel Santos Mayer 

José Castilho 

Mediação: Fabíola Farias

 

A democratização do acesso aos livros é suficiente para garantir a formação de leitores? Quais aspectos socioeconômicos interferem na constituição de uma sociedade leitora? E qual o papel das políticas públicas? Para debater questões cruciais como estas, convidamos três importantes referências na área, com atuação em diferentes campos que envolvem o livro e a leitura no Brasil.

 

DOMINGO – 06/09

 

DOMINGO (6) – 11h30

MESA 10

POESIA E (RE)INVENÇÃO DE FUTUROS 

Chiara Gentile

Tarso de Melo

Mediação: Cristiane Tavares

Apoio: editacuja

 

O que pode a linguagem poética nos dias de hoje? Segundo o filósofo italiano Franco Berardi, vivemos uma crise da capacidade de imaginar o futuro e a poesia pode ser um dos caminhos para a revitalização da linguagem. Em “Música do Mundo”, Tarso de Melo apresenta uma espécie de genealogia da poesia como linguagem, investiga as relações intrínsecas entre som e sentido e afirma: “poesia é coisa de futuro”. Já no romance “Tempo Primo”, Chiara Gentile narra a história de uma professora de literatura que, em decorrência de um acidente, precisa reaprender a ler e a escrever e tem na música a porta de entrada para a redescoberta da linguagem. Nesta conversa, os dois autores nos convidam a aprofundar percepções sobre a linguagem, memória e imaginação.

 

Lançamento de TEMPO PRIMO (Chiara Gentile, editacuja) e Música no Mundo (Tarso de Melo, Fósforo)

 

DOMINGO (6) – 14h

MESA 11

AFETOS HISTÓRICOS: O TEMPO DAS RELAÇÕES 

Jeovanna Vieira

Maria José Silveira 

Mediação: Mariana Bastos

Apoio: Ação Editora

 

Só quando há uma rusga ou ruptura com alguém muito próximo é que nos atentamos para o fato de que mesmo as relações mais íntimas e profundas se transformam ao longo do tempo. Em “Toda caixa-preta é laranja”, de Jeovanna Vieira, o foco está na relação filha-pai – a protagonista é uma piloto prestes a se mudar com a família para o exterior para se tornar a primeira mulher negra a comandar o maior avião de passageiros do mundo; seu pai desaparece repentinamente e ela decide adiar seu sonho, o que a leva a revisitar a sua história. Já em “Imperdoável”, de Maria José Silveira, acompanhamos a trajetória de três inseparáveis amigos de escola, que, depois de compartilhar ideais, sonhos e descobertas nos anos 1980, tomam rumos distintos na vida. O ápice do conflito se dá em 8 de janeiro de 2023, momento mais agudo da história recente do Brasil, que escancara o esgarçamento social e afetivo provocado pelo extremismo da disputa política.

 

Lançamento de TODA CAIXA-PRETA É LARANJA (Jeovanna Vieira, Companhia das Letras) e IMPERDOÁVEL (Maria José Silveira, Ação Editora)

 

DOMINGO (6) – 16h

MESA 12

VIDAS (RE)INVENTADAS: BIOGRAFIA COMO ANTÍDOTO AO APAGAMENTO HISTÓRICO

Bruno Rodrigues de Lima 

Cibele Tenório

Mediação: Roberto Guimarães

Apoio: Hedra

 

Como escrever a história de pessoas invisibilizadas ou deliberadamente esquecidas pela historiografia oficial? Esse será o ponto de partida da conversa entre os autores de duas biografias recentes de lideranças negras. Em “Pai contra mãe: as origens perdidas de Luiz Gama”, o jurista e historiador Bruno Rodrigues de Lima faz minuciosa pesquisa em fontes inéditas para contar a infância e os mistérios familiares do maior jurista e abolicionista do Brasil. Em “Almerinda Gama: A sufragista negra” Cibele Tenório usa o faro de jornalista e a veia de pesquisadora para recuperar a a vida e o legado de uma das mais importantes e esquecidas lideranças do movimento feminista e antirracista brasileiro. 

 

DOMINGO (6) – 18h

MESA 13

ELZA SOARES: A VOZ DO FEMINISMO NEGRO

Lígia Moreli

Rômulo Fróes

Mediação: Adriana Ferreira Silva 

Apoio: Edições Sesc São Paulo

 

Celebrando a artista “dura na queda”, “Elza Soares: insurreição na garganta”, de Lígia Moreli, aborda a vida e a carreira da icônica cantora. A autora acompanha a transformação de Elza em direção a um posicionamento estético e político consolidado no álbum “A mulher do fim do mundo”, lançado em 2015, quando a cantora tinha 85 anos! Diretor artístico do seminal disco de Elza, e de seu trabalho seguinte, “Deus é mulher” (2018), o músico Rômulo Fróes compartilha um pouco da sua vivência e colaboração com uma das maiores artistas brasileiras. Elza foi um furacão criativo que viveu mais de 90 anos em permanente reinvenção, que usou sua inimitável para denunciar o racismo, o machismo, a violência contra a mulher e a desigualdade social.

 

Lançamento de Elza Soares: Insurreição na Garganta (Lígia Morei, Edições SESC-SP)

 

SEGUNDA-FEIRA – 07/09

 

SEGUNDA (7) – 10h

MESA 14

ISSO NÃO É ASSUNTO DE CRIANÇA?!

Fabíola Farias

nina rizzi

Mediação: Bruno Souza

Apoio: Veneta

 

O incômodo em torno dos temas abordados nos livros para crianças é crescente e revela muitas facetas. Das disputas ideológicas à censura, passando por conservadorismos de toda ordem, os tabus, frequentemente, revelam concepções equivocadas de infância. Como dialogar, afinal, com infâncias tão diversas e plurais? Cabe tudo na literatura destinada às crianças? Para responder a estas provocações e lançar outras, convidamos a poeta nina rizzi e a professora Fabíola Farias, ambas com ampla experiência em criação e crítica literária e formação de leitores.

 

Lançamento de “O mundo que se quer esconder das crianças: o incômodo na literatura infantil” (Fabíola Farias e Nilma Lacerda, Veneta)

 

SEGUNDA (7) – 11h30

MESA 15

SABEDORIA ANCESTRAL PARA UM MUNDO HIPERCONECTADO

Geni Núñez conversa com Jéssica Balbino

 

Como os conhecimentos ancestrais indígenas e a descolonização dos afetos podem abrir caminhos de cura e emancipação em um contexto de relações humanas cada vez mais mediadas por telas? Se estruturas sociais, ambientais e afetivas demonstram sinais de esgotamento, a psicologia e os saberes dos povos originários oferecem novas perspectivas para repensar a vida em comunidade. Tendo as diversas formas de amar como bússola, Geni Núñez, psicóloga, ativista Guarani, escritora e pesquisadora pós-doutoranda pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, aponta para outras gramáticas do amor, da terra e do bem-viver para além da lógica da propriedade e da dominação.

 

SEGUNDA (7) – 15h

Espetáculo de encerramento

NOITE DE BRINQUEDO NO TERREIRO DE YAYÁ

Com Coletivo Clã do Jabuti

 

O espetáculo conta a história da rainha do Congo, a menina Maria, que habita uma terra povoada por encantados, mestres, reis, rainhas, cabinhas e palhaços. Ela, que reinou em seu reisado por anos, agora precisará entregar a coroa à sua irmã mais nova e, assim, percebe que talvez chegue ao fim também seu tempo de ser criança. Letras e melodias ajudam a narrar as alegrias, dores e desafios da rainha que deixa de ser rainha. Da criança que deixa de ser criança. Em sua jornada, nossa heroína descobre como guerrear e festejar com a ajuda de seres encantados e desvenda a sabedoria ancestral das encruzilhadas, lugar de encontro e aprendizagem. As Yayás, as Avós, senhoras do Colo e do Caminho, são guias a abrir atalhos na jornada de crescimento da menina guerreira.

 

Esses rituais de passagem são cantados e declamados numa atmosfera de grande festa. Festa embalada pelo ritmo pulsante e contagiante do reisado. Todo elenco desempenha o nobre papel de brincador da festa e, dessa forma, se reveza entre os instrumentos de percussão en de corda, dança e canto em suas interpretações. No repertório, cantigas autorais e outras que fazem parte do Cancioneiro Popular. Toadas cantadas e ensinadas pelas avós e bisavós. 

 

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