O FAFAN – Festival de Arte Fancha, idealizado pela Coletiva Fanchecléticas e pela Associação Artes Sapas, anuncia sua segunda edição, marcando o amadurecimento de uma trajetória de resistência cultural. Entre os dias 5 e 15 de março, o festival transforma Belo Horizonte em um solo fértil para o encontro entre as linguagens do teatro, cinema, literatura e música. O festival acontece na FUNARTE MG e possui entrada gratuita mediante retirada de ingressos através da plataforma Sympla. A programação completa pode ser conferida no Instagram @fanchecleticas e no site das Fanchecléticas www.fanchecleticas.com/fafan.
Sob o conceito de Colheita, o festival abriu chamamento nos meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e recebeu 85 propostas vindas de pessoas trans e mulheres lésbicas, bi ou pansexuais de Belo Horizonte e região metropolitana.
“A maioria das propostas que recebemos são de coletivos, percebemos após a finalização da curadoria que muitas obras foram feitas por muitas mãos e isso se relaciona com a natureza da nossa associação também”, comenta Letícia Bezamat, coordenadora de comunicação do festival e atriz, que complementa: “O diálogo com o conceito Colheita foi um dos critérios da nossa curadoria, portanto todos os trabalhos que compõem o festival tem algum ponto de contato com esse universo. Para nós da Coletiva Fanchecléticas, este evento é fruto da nossa colheita. Foram quase três anos para captar os recursos necessários deste festival, o que revela não só resistência da coletiva, mas o fortalecimento da nossa instituição e do nosso fazer artístico”.
Entre os trabalhos destacam-se espetáculos teatrais, saraus literários, oficinas, lançamento de livros, shows e sessões de filmes.
“Nossa programação é um convite ao encontro entre teatro, cinema, literatura e música. A ideia é que o público circule por diferentes linguagens em um mesmo dia. Queremos criar pontas, mas sem amarras; as artes ocupam o mesmo espaço e o público decide como se conectar e o que sentir com cada mistura. Nossa ideia é criar um ambiente de encontro e convívio, um clima de festival onde as pessoas queiram participar de mais de um dia, curtir as oficinas e fazer novas amizades”, afirma Letícia Bezamat.
Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte e Fanchecléticas Coletiva, idealização da Associação Artes Sapas e conta com patrocínio de DIEFRA e Plantuc.
Destaques da Programação
A Coletiva Fanchecléticas abrirá a programação do festival com o Sarau Fancheclético, no dia 5 de março, seguido do Forró torto, um show vibrante que dialoga com a tradição do forró nordestino a partir de uma formação composta exclusivamente por mulheres cis e pessoas não-bináries de diferentes gerações. A banda expande o formato clássico do forró ao incorporar o cavaquinho e o violão de 7 cordas à sanfona, zabumba e triângulo.
Os destaques da música no FAFAN ficam com a apresentação de Yukáh, artista experimental do Vale do Jequitinhonha/MG, que celebra sete anos de trajetória com o show YUKÁH no dia 7 de março, unindo musicalidade, teatralidade e poesia. O show Interioranas, no dia 12 de março, é resultado do encontro entre o canto ancestral da cantautora carmopolitana Luiza da Iola e a escrita poética da poeta novalimense Nívea Sabino. Na sequência, ainda no dia 12, será apresentado o pocket show Ferinas Sessions, no qual a banda Ferinas Groove recebe outras artistas, negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da região metropolitana de Belo Horizonte, com a apresentação de músicas autorais das integrantes do grupo.
A Coletiva NBAILE, que celebra e potencializa corpos trans e não binários, com centralidade nas vivências de pessoas trans pretas, transformando a pista, o som e o encontro em espaços de afirmação, visibilidade empregabilidade e resistência, oferecerá no dia 6 de março a Oficina de DJs – Do Plantio à Colheita, um espaço de reafirmação da existência de corpos trans e não binários na música, celebrando o que foi semeado e abrindo caminhos para novos ciclos de criação e continuidade. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site das Fanchecléticas até o dia 06 de março.
Também estão abertas as inscrições para a Oficina Brincadeiras de Terreiro, que será ministrada por Jocasta Roque, multiartista e arte-educadora quilombola no dia 7 de março. A atividade convida pessoas de todas as idades a experimentar, de forma acessível e participativa, os saberes dos terreiros e reinados mineiros como expressão cultural e patrimônio imaterial.
A Oficina Mergulho Drag Cuir, no dia 13 de março com o artista Eli Nunes, também está com inscrições abertas para quem deseja explorar diferentes corporeidades e energias através da maquiagem e montações de Drag Queer e King.
Nas artes cênicas, quatro espetáculos compõem a programação. A Breve Cia (Belo Horizonte) apresentará seu mais recente trabalho no dia 8 de março. Com direção de Amora Tito, a peça assuviá pra chamar o vento explora infância, masculinidade e afeto. Em (En)tupir: Jequitinhonha (Grupo NaLama), que será apresentado dia 6 de março, a música ao vivo e elementos da cultura popular, constroem uma dramaturgia em que o protagonismo feminino conduz a colheita da memória, da ancestralidade e da resistência, afirmando a permanência dos corpos e dos territórios frente à exploração.
Outros destaques das artes cênicas é A terra dá, a terra quer – Mini Ball (House of Juicy Brasil), no dia 14 de março, inspirada na sabedoria de Nego Bispo e entende a ballroom como território vivo de troca, cuidado e permanência; e o espetáculo Expedição Reversa, da Coletiva Fanchecléticas, encerrando a programação do festival no dia 15 de março. Com direção de Marina Viana, a obra mistura poesia, política e humor para criar um novo olhar rumo a um Brasil reinventado a partir de uma visão de gênero múltipla.
No festival FAFAN, haverá ainda o lançamento da Editora Artes Sapas, no dia 7 de março, com performance literária dos livros Tia Nina Sapatão, de Nádia Fonseca e contação da história pela própria autora, além da obra gráfico-literária O sumiço da cigarra, de Mari Moreira e contação da história por devore se.
O Avoante, coletivo literário de poesia marginal, que circula pela cidade de Belo Horizonte há mais de 8 anos, trará para o FAFAN o Sarau Avoa Amor – edição especial: colheitas do afeto, no dia 7 de março. Conduzido pelas integrantes e poetas Thamara Selva e Joi Gonçalves, o sarau propõe um encontro sensível entre leitura poética, escuta coletiva e participação do público. A ação reúne textos autorais e abre espaço para apresentações espontâneas, além de disponibilizar livros poéticos LGBTQIAPN+ para leitura, criando um território de afeto, memória e troca.
No dia 13 de março, é a vez da Transmutar-se Coletiva apresentar o Sarau Erótico, um convite a gozar da oralidade ancestral dos corpos dissidentes que o ocupam.
No audiovisual, o festival exibe oito obras, entre elas o documentário Marlene Silva Dança o mundo (Elaine do Carmo), que celebra o legado da bailarina Marlene Silva, no dia 12 de março e a Fabulosa Nickary Aycker (jomaka), que documenta a vivência de uma mulher travesti preta, periférica, ex-detenta, que encontrou no seu trabalho amor e uma nova chance, no dia 8 de março.
Como contrapartida do projeto, o FAFAN oferecerá anteriormente a programação oficial, dia 4 de março, a Oficina de Teatro: Presença – Eu estou aqui! com a atriz Denise Lopes Leal. A oficina, voltada para pessoas LGBTQIAPN+ é um convite para quem deseja estar por inteiro, sem máscaras impostas, sem pressa de caber. Através do teatro, do corpo em movimento, da voz que vibra e do silêncio que escuta, abrimos um espaço para sentir o agora e ocupar o mundo com verdade. As inscrições podem ser feitas através do site das Fanchecléticas www.fanchecleticas.com/fafan.
SERVIÇO FAFAN – 2º Festival de Arte Fancha
4/03, QUARTA -FEIRA
Oficina de Teatro: Presença – Eu estou aqui!, com Denise Lopes Leal
Horário: às 14h30
Presença é quando o corpo chega antes da palavra. É quando respirar vira coragem e existir vira gesto. Esta oficina é um convite para quem deseja estar por inteire, sem máscaras impostas, sem pressa de caber. Através do teatro, do corpo em movimento, da voz que vibra e do silêncio que escuta, abrimos um espaço para sentir o agora e ocupar o mundo com verdade.
Voltada para pessoas LGBTQIAPN+, a oficina nasce como território de acolhimento e liberdade. Aqui, cada corpo é linguagem, cada identidade é cena, cada história é potência. Não se trata de representar, mas de revelar. Não de performar para fora, mas de reconhecer o que pulsa dentro. Presença é encontro. É o corpo que afirma: eu estou aqui.
Abertura Oficial do 2º FAFAN
5/03, QUINTA-FEIRA
Horário: 18h30 às 21h30
Sarau Fancheclético – Fanchecléticas Coletiva
A coletiva responsável pelo FAFAN abre as porteiras do festival para celebrar afeto, memória e rebeldia. Entre versos e olhares, convidamos você para uma partilha de tesão e carinho, música e performance.
Venha celebrar conosco os frutos de tudo aquilo que floresceu em nós, pois colher também é reconhecer o caminho.
Forró Torto
Forró Torto apresenta um show vibrante que dialoga com a tradição do forró nordestino a partir de uma formação contemporânea e diversa. Composta exclusivamente por mulheres cis e pessoas não-bináries de diferentes gerações, a banda expande o formato clássico do forró ao incorporar o cavaquinho e o violão de 7 cordas à sanfona, zabumba e triângulo. No palco, o grupo transita entre baiões, xotes e galopes, costurando repertório tradicional, releituras criativas e composições autorais.
6/03, SEXTA-FEIRA
Oficina de DJs – Do Plantio à colheita – coletiva NBAILE
Horário: 14h30 às 18h30
Inscrições gratuitas no site.
Oficina de DJs – Do Plantio à colheita com coletiva NBAILE nasce do percurso e da força construída pela NBaile desde sua fundação em 2023, em Belo Horizonte. Criada por Jahi Amani (DJAHI), a NBaile é um coletivo que celebra e potencializa corpos trans e não binários, com centralidade nas vivências de pessoas trans pretas, transformando a pista, o som e o encontro em espaços de afirmação, visibilidade empregabilidade e resistência. Inspirada pelo tema Colheita, a oficina propõe um olhar para tudo o que foi plantado coletivamente: saberes musicais, experiências de pista, redes de afeto, enfrentamentos e conquistas dentro de um cenário ainda marcado pela transfobia e pelo conservadorismo. Aqui, colher é reconhecer processos, honrar trajetórias e transformar vivência em técnica, escuta e criação sonora livre de opressões. A oficina compartilha práticas de DJ a partir de uma perspectiva política e sensível, entendendo a discotecagem como ferramenta de expressão, empregabilidade, cuidado e luta. Assim como os projetos da NBaile — festas, o programa TransMutá e ações em parceria com movimentos NB —, “Oficina de DJs – Do Plantio à colheita com coletiva NBAILE” reafirma a existência de corpos trans e não binários na música, celebrando o que foi semeado e abrindo caminhos para novos ciclos de criação e continuidade.
En(tupi)r: Jequitinhonha – Grupo NaLama
Horário: 19h
O espetáculo conta a história de um território e das mulheres que o sustentam. No Vale do Jequitinhonha, a terra é explorada pela mineração de lítio enquanto tradições e modos de vida são colocados em risco. Alfonsina, guardiã da festa do Boi, e Rita, rezadeira, representam uma geração que resiste pela memória e pelo cuidado. Quando Dorinha retorna à terra natal, encontra um solo ferido e uma comunidade adoecida. Diante da ameaça de apagamento cultural e ambiental, ela assume o protagonismo da cena ao ressignificar a tradição do Boi, transformando-a em ferramenta de enfrentamento. A terra deixa de ser apenas cenário e se torna personagem central da narrativa. Com música ao vivo e elementos da cultura popular, a obra constrói uma dramaturgia em que o protagonismo feminino conduz a colheita da memória, da ancestralidade e da resistência, afirmando a permanência dos corpos e dos territórios frente à exploração.
7/03, SÁBADO
Oficina Brincadeiras de Terreiro – Jocasta Roque
Horário: 13h às 15h
Inscrições gratuitas no site.
A oficina “Brincadeiras de Terreiro – Cânticos e Danças do Congado” propõe uma vivência lúdica, afetiva e coletiva inspirada nas tradições afro-mineiras do Congado, integrando canto, dança, ritmo e convivência comunitária. Conduzida por Jocasta Roque, multiartista e arte-educadora quilombola, a atividade convida pessoas de todas as idades a experimentar, de forma acessível e participativa, os saberes dos terreiros e reinados mineiros como expressão cultural e patrimônio imaterial. Estruturada em momentos de acolhimento, brincadeiras tradicionais, vivência musical e encerramento com cortejo simbólico, a oficina promove o encontro entre corpo e memória, fortalecendo a identidade afro-brasileira, a escuta coletiva e o sentimento de pertencimento. Em duas horas de experiência prática, o público é convidado a aprender celebrando, reconhecendo o Congado como uma manifestação cultural viva, comunitária e ancestral.
SARAU AVOA AMOR – edição especial: colheitas do afeto – Coletivo Avoante
Horário: 15h
O avoa é um sarau literário de poesia marginal, que circula pela cidade de Belo Horizonte há mais de 8 anos. Nesta edição será conduzido pelas integrantes e poetas Thamara Selva e Joi Gonçalves, e propõe um encontro sensível entre leitura poética, escuta coletiva e participação do público. A ação reúne textos autorais e abre espaço para apresentações espontâneas, além de disponibilizar livros poéticos LGBTQIAPN+ para leitura, criando um território de afeto, memória e troca.
Lançamento da Editora Artes Sapas com performance literária.
Horário: 16h
Tia Nina Sapatão, de Nádia Fonseca – Contação da história pela autora
Tia Nina Sapatão é aquela pessoa que decide existir em sua verdade, mesmo que o mundo insista em enquadrar seu modo de se vestir, de se sentir, de existir. Este livro é um presente às crianças, às famílias e a todes que acreditam no poder do amor e da liberdade.
O sumiço da cigarra, de Mari Moreira – Contação da história por devore se
Esta obra gráfico-literária é uma fábula ecológica, que através da fantasia conscientiza sobre a importância dos pequenos seres no ecossistema e os impactos ocasionados pelas ações humanas. O livro narra a história de Mabel, um ser mágico que transita entre os mundos natural e antrópico, e sua investigação sobre o misterioso desaparecimento das cigarras, assim que Gabriel sente falta da sua cantoria em determinada época do ano, quando vai colher amoras, uma tradição em sua família e núcleo comunitário. A narrativa, situada na fronteira sutil entre a ficção e a realidade, serve como um delicado alerta sobre desequilíbrios ambientais e a importância dos vínculos de afeto e companheirismo entre seres com perfis diversos.
YUKÁH
Horário: 17h
Yukáh, artista experimental de si natural do Vale do Jequitinhonha/MG, celebra sete anos de trajetória com o show YUKÁH . Unindo musicalidade, teatralidade e poesia, onde propõe uma experiência sensorial com influências da MPB, Jazz e Soul Music. Interpretando canções autorais e releituras de clássicos da mpb convida o público a cantar sobre o amor e os sonhos para o futuro.
8/03, DOMINGO
Exibição de Filmes
Horário: 18h
INCONTÁVEIS MANEIRAS DE FAZER DA VIDA UM PALCO – Laura Evelyn
Este documentário brinca com o retrato de incontáveis personas de Cauã Esteves, a partir de uma perspectiva 20cm mais baixa e emoldurada por bilhetes de amor por quem o conhece, antes de tudo, como amigo.
Travessia – Gabriela Mendes
Travessia é uma videodança em que o corpo percorre espaços de passagem da cidade como quem retorna aos rastros que ficaram sob o concreto. A obra propõe uma escuta sensível do espaço público, tensionando a relação entre presença e invisibilidade, entre o lúdico e o colapso cotidiano, para então transformar esses territórios em cena e permanência. Sobre a passarela do metrô Santa Tereza — onde o concreto encobre o rio, mas não apaga sua existência — a dança emerge como gesto de resistência ao apagamento do espaço e dos corpos que por ele circulam. O corpo em movimento atua como quem colhe memórias soterradas, ativando aquilo que insiste em pulsar mesmo diante da falência das estruturas que sustentam o agora. Entre os ruídos da cidade, as vibrações do funk e a fisicalidade de um movimento circular e repetitivo, Travessia instaura brechas no cotidiano urbano e propõe a reinvenção do encontro, da apropriação e da presença. A obra revela a potência de um corpo em constante ressignificação, que semeia outros modos de existir e cria mundos possíveis a partir da ruína cotidiana.
Fabulosa Nickary Aycker – Nickary Aycker
Fabulosa Nickary Aycker é um documentário em curta metragem que nasce da vivência de uma mulher travesti preta, periférica, ex-detenta, que encontrou no seu trabalho amor e uma nova chance. Artista da cena Drag e Teatral Belo-horizontina, Nickary Aycker é a estrela desse curta e protagonista de sua própria história. Evidenciando narrativas historicamente apagadas, Fabulosa Nickary Aycker traz diversas reflexões através da poética de um corpo que luta, diariamente, contra o racismo e a transfobia, para conquistar seu espaço nas artes e na vida.
Espetáculo assuviá pra chamar o vento – Breve Cia
Horário: 19h30
alguém assovia ao longe. um ventinho lambe as nossas peles. um papagaio verde coiêta o céu com cor de se pôr. a rabiola dança y reflete como olho de gato. o que avistam mulekes que empinam pipas? as linhas se cruzam: um mandado o outro dá linha. só pra contrariar o cerol corta a pontinha do que tava ali de disfarçado. aba mais reta que o papo que ele ta dando. entre goles para lembrar, passinhos e tóquinhos: papagaios molhados torcem contra o temporal.
12/03, QUINTA-FEIRA
Exibição de filmes
Horário: 18h
Marlene Silva Dança o mundo – Elaine do Carmo
Documentário póstumo sobre a bailarina Marlene Silva, precursora da Dança Afro em Minas Gerais. Esta é uma celebração do seu legado. Uma viagem pela história através do acervo da própria bailarina.
Cabeça de rua – Angélica Lourenço
Célia recebe uma proposta para um trabalho fichado em uma loja após trabalhar durante muitos anos como lavadora de carros. Em seu último dia na rua, ela precisa passar seu ponto de trabalho para sua prima, ao mesmo tempo que precisa lidar com sua insegurança em relação ao novo desafio profissional.
Metamórfike – Lui Nascimento
Lolo é ume jovem não binário, influenciadore e diretore de videoclipes que faz entregas pela cidade enquanto sua carreira não decola. Após receber uma entrega misteriosa, coisas estranhas começam a acontecer. Um sci-fi queer tropykal pelas ruas de Belo Horizonte.
Manifesto não binário pela desistência do gênero – Zaíra de Las Palozas
Gênero é uma invenção humana, uma invenção que já foi repetida tantas vezes e por tantas pessoas ao redor do mundo que foi transformada de verdade inquestionável. Invenção essa que nos violenta e limita todos os dias. Vale a pena ressignificar uma camisa de força para que ela se torne uma camisa leve?
SAPATÃO: uma racha/dura no sistema – Fanchecléticas Coletiva
Por que estamos tão cansades? Uma entregadora por aplicativo responde em sua última postagem: um desabafo e uma despedida. Um corpo vivo numa sociedade em colapso. Uma corpa que tenciona a cidade, rompe com padrões e cria racha/duras. Sapatão, guarde este dia com carinho!
Interioranas
Horário: 19h30
“INTERIORANAS” resulta do encontro entre o canto ancestral da cantautora Carmopolitana Luiza da Iola e a escrita poética da Poeta Novalimense Nívea Sabino. O show experiencial com duração de 40 minutos, composto por cantopoemas baseados na obra “INTERIORANA”, de Nívea Sabino, diz do ser interior do interior no interior, relata histórias individuais, resgata memórias afetivas, traços da memória ancestral e coletiva.
Ferinas Session – Ferinas Groove
Horário: 20h30
Ferinas Sessions nasce enquanto um palco no qual a banda Ferinas Groove recebe outras artistas, negras, periféricas e LGBTQIAPN+ da região metropolitana de Belo Horizonte, com o intuito de fomentar a voz dessas mulheres e pessoas não-binárias. A cena musical belorizontina, historicamente, é dominada por vozes masculinas e cisgênero e as oportunidades, desta forma, acabam por se concentrar em mãos de artistas que já possuem capital financeiro e social para rentabilizarem seu trabalho, o que não acontece com artistas marginais, mulheres e pessoas T. O Ferinas Sessions posiciona-se como um contraponto ativo, criando um palco prioritário para talentos femininos, trans e periféricos, contribuindo para a diversidade e equidade no setor cultural. Ao longo de 2026, a banda busca consolidar a Ferinas Sessions enquanto um evento recorrente no calendário cultural de Belo Horizonte. O pocket show que será realizado na 2ª edição do FAFAN contará com a apresentação de músicas autorais das integrantes da banda Ferinas Groove, Luar, Lótus e Indi, além do apoio instrumental de três convidadas extremamente talentosas, sendo elas Anna Lages, artista multi percussionista; Lud Cunha, pianista renomada; e Raíssa Uchôa, instrumentalista excepcional.
13/03, SEXTA-FEIRA
Oficina Mergulho Drag Cuir – Eli Nunes
Horário: 15h às 19h
Inscrições gratuitas no site.
Experimente a Arte Drag por um viés Cuir e Decolonial. Buscando explorar diferentes corporeidades e energias através da maquiagem e montações, a Oficina Mergulho Drag Cuir convida para reflexões acerca de gênero, apresenta referências na arte Drag Queer e King na América Latina e oferece um espaço seguro de experimentação para o autoconhecimento.
Sarau Erótico – Transmutar-se Coletiva
Horário: 19h
O Sarau Erótico é um convite a gozar da oralidade ancestral dos corpos dissidentes que o ocupam. Um espaço onde o prazer atravessa a palavra, domina as mentes de forma poética e dilata os sentidos como arte circense, tocando fundo como práticas cênicas ritualísticas. Aqui, o tesão se manifesta em toda e qualquer expressão artística, entrelaçando o sexy ao revolucionário, o corpo à palavra, o desejo à insurgência.
14/03, SÁBADO
“A terra dá, a terra quer” – Mini Ball – House of Juicy Brasil
Horário: 18h
“A terra dá, a terra quer” é uma ball que brota do pensamento de Nego Bispo e entende a ballroom como território vivo de troca, cuidado e permanência. Corpos dissidentes semeiam gestos, estéticas e pertencimentos, cultivando a pista como chão fértil de memória e futuro. Com categorias acessíveis, a ball espalha sementes, fortalece vínculos e afirma a colheita como gesto coletivo — porque toda cultura viva precisa ser plantada, cuidada e compartilhada.
15/03, DOMINGO
Expedição Reversa – Fanchecléticas Coletiva
Horário: 18h
Expedição reversa, lesbosapatransgrafia do Brasil. Paradoxo da tia, experimento arqueológico futurista, sequestro/ resgate de safo. Expropriação da história oficial desde um devir Chavela Vargas. Verter a língua porque me da la re chingada gana. Devir Maria Betania cuidado, cuidado comigo que eu faço cena de você. Ato de reverter a linguagem caminar hasta un nuevo punto. Escavar memória e reconstruir monumentos de tesão ancestral. A Língua é um mapa de nossos fracassos, mas eu preciso dela pra falar aqui, aqui e agora será pela língua. Usaremos a língua do opressor na nossa revolução paródia, nosso legado com voz, há muitas e muitas avós. Abuelas. Avós.
Atração surpresa
Horário: 19h
Sobre a Associação Artes Sapas – Associação Artes Sapas (OSC) impacta diretamente o fazer de artistas trans, travestis e não-bináries, lésbicas, bissexuais e panssexuais, promovendo trabalhos e valorizando sua arte com promoção e criação de trabalhos artísticos e educativos a partir de uma perspectiva transfeminista, antirracista, popular e periférica, conectando arte, território e transformação social.
Coletiva Fanchecléticas – A Fanchecléticas Coletiva é o eixo artístico e sociocultural da Associação Artes Sapas, responsável por projetos feitos por e para pessoas trans e mulheres LGBTQIAPN+, que atuam no teatro, audiovisual, música e literatura. A ideia é que o FAFAN seja um lugar de encontro, mas também, um meio para difundir e pensar a arte Fancha, a representatividade dos corpos, sua identidade e sexualidade.
SERVIÇO
FAFAN – Festival de Arte Fancha
Data: 5 a 15 de março
Local: FUNARTE MG (Rua Januária, 68 – Centro, Belo Horizonte)
Entrada gratuita.
Ingressos no Sympla:
https://www.sympla.com.br/evento/fafan-festival-de-arte-fancha/3317683
Inscrições para as oficinas no Instagram @fanchecleticas e no site das Fanchecléticas www.fanchecleticas.com/fafan.








