O Festival Colisão, evento dedicado à prática e à troca de experiências artísticas entre diferentes territórios sobre a produção teatral, chega a 2ª edição com uma programação gratuita e a preço popular, que propõe o encontro entre o público, grupos e artistas. Neste ano, o evento tem a cidade de Sabará como sede, onde ocupa o espaço Sobrilá Cia de Teatro e o Centro Cultural José da Costa Sepúlveda, com espetáculos abertos ao público e bate papo com os curadores – “Colóquio Sentimental”, “Peixes” e “Mineral Ibsen” – além de oficina gratuita. O Teatro da Fumaça, em Belo Horizonte, também é palco desta edição ao receber o encontro de intercâmbio entre os grupos participantes.
A 2ª edição do Festival Colisão acontece entre os dias 8 e 12 de abril. Os ingressos para os espetáculos custam R$10,00 e podem ser adquiridos no site www.sympa.com.br. O evento é realizado pela Plataforma Dois Pontos, com curadoria do ator e diretor Anselmo Bandeira e da atriz e diretora Carolina Cândido. Este projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e apoio do Ministério da Cultura, do Governo Federal e do Governo de Minas Gerais/Secult-MG, e com apoio do Centro Cultural José da Costa Sepúlveda.
O ponto de partida do Colisão é promover o atravessamento entre o público, artistas e grupos, para criar um espaço de conhecimento, reconhecimento, compartilhamento e investigação, por meio da seleção de um território intercambista que vai ao encontro de outros territórios. A proposta é, conforme explica a curadora Carolina Cândido, “ser um espaço de intercâmbio cultural, que estimula a prática, a reflexão e a troca de experiências artísticas, em busca de fomentar uma rede de articulação entre as localidades”.
Sabará recebe a 2ª edição do festival, ao passo que a Belo Horizonte – território intercambista – vai ao encontro da cidade e promove o encontro do público com importantes grupos mineiros, em paralelo ao compartilhamento de experiências entre os artistas e coletivos. A abertura do festival acontece no dia 8 de abril, às 20h, no Centro Cultural José da Costa Sepúlveda, com apresentação do espetáculo “Colóquio Sentimental”, de Mônica Ribeiro, com atuação de Camila Felix e Gabriel Corrêa. A montagem trata da desgastada relação amorosa de um jovem casal, instigando a reflexão acerca da importância e urgência da retomada do diálogo e do desenvolvimento da empatia entre casais. O espetáculo também será apresentado para estudantes de instituições de ensino de Sabará, no dia 9, em sessão fechada.
“O ‘Colóquio Sentimental’ é uma obra muito potente, tanto estética quanto tecnicamente, além de ser atemporal na sua temática e abordagem, ao falar do rompimento. É como se o espetáculo fosse o ‘alicerce’ do Colisão deste ano, pois quando confirmamos a sua apresentação, percebemos a necessidade de trazer mais trabalhos nessa mesma tessitura: que usassem o conceito de rachadura”, diz Anselmo Bandeira.
“Peixes”, de Ana Regis, ocupa a sede da Sobrilá Cia de Teatro – importante grupo de teatro de Sabará – no dia 9 de abril, às 20h. A peça narra uma consulta médica num manicômio judiciário, em que Cláudia, 52, professora, revela as histórias que viveu, numa narrativa fragmentada como seu pensamento.
A montagem “Mineral Ibsen”, trabalho do Teatro da Fumaça, de Belo Horizonte, em parceria com a Sobrilá, fecha a programação de espetáculos deste ano, no dia 12, às 18h, também na sede da Sobrilá Cia de Teatro. Com direção de Marina Arthuzzi, o texto relata uma comunidade no interior de Minas, que vive à beira de um paradoxo: uma rachadura. Símbolo de progresso e de prosperidade econômica, é também a principal causa de sua ruína. “A companhia Sobrilá possui um belo trabalho em repertório, além de ser um grupo que pensa o teatro de intercâmbio, que atua em parceria com outros coletivos, e que promove formação artística. O trabalho do grupo está muito alinhado ao Colisão”, afirma Anselmo Bandeira.
Após a apresentação dos espetáculos haverá um bate-papo da plateia com os artistas e os curadores do festival.
Curadoria – A seleção dos espetáculos é resultado do entendimento dos curadores, Anselmo Bandeira e Carolina Cândido, sobre a necessidade de abordar a humanidade e a capacidade institucionalizada de desumanizar. Os trabalhos falam sobre rachaduras na sociedade contemporânea e experiências subjetivas diante de problemas sociais. “O ‘Colóquio Sentimental’ traz isso dentro de uma relação doméstica, na incapacidade de certas relações, principalmente como consequência do machismo. ‘Peixes’, de todos, é aquele que nos convida a uma experiência íntima e social diretamente associada a um grupo de pessoas: todo um contexto que atravessa o feminicídio e abuso sobre corpos femininos. E ‘Mineral Ibsen’, por sua vez, reflete como, além de nos desumanizar, também nos distanciamos, desassociamos e nos ‘apoderamos’ da natureza, da vida que existe no nosso entorno”, detalha Anselmo Bandeira.
Intercâmbio – O Teatro da Fumaça, em Belo Horizonte, recebe no dia 10 de abril, a etapa de intercâmbio entre os artistas e grupos de teatro que participam do festival. No tempo em que todas as ações abertas e direcionadas ao público acontecem em Sabará, a capital mineira, que é o território intercambista, é palco do momento de troca entre os trabalhos envolvidos, em uma ação fechada ao público. “Não é incomum no meio artístico ouvirmos colegas dizerem que sentem falta de espaços para a troca, para novas vivências e aprendizados, que permitam se enxergar no outro. O intercâmbio permite ampliar esse conhecimento, reconhecimento e as oportunidades. Esse é o momento do Colisão para que os artistas possam compartilhar as suas experiências e resultados, o seu jeito de fazer teatro, e fomentar uma rede de articulação”, explica Anselmo Bandeira.
Oficina – O espaço Sobrilá Cia de Teatro recebe, no dia 11, das 14h às 17h, a oficina “Corpo e Ritmo na Cena”, que irá trabalhar o movimento cênico a partir de estruturas rítmicas. O encontro é aberto ao público em geral e os participantes serão convidados a criarem sequências de movimentos mobilizados por estruturas numéricas e geométricas, em uma perspectiva que associa corpo e ritmo, pretende-se ampliar a experiência. O conteúdo será ministrado pelos atores do espetáculo “Colóquio Sentimental”, Camila Felix e Gabriel Corrêa. As inscrições são feitas no link.
Além dos espetáculos e da oficina, durante o Colisão ocorrerão visitas aos pontos de cultura de Sabará, com o objetivo de fomentar a história e a cultura da cidade. O festival busca valorizar a territorialidade ao priorizar os recursos de serviços e produtos turísticos da região, atingindo não apenas as esferas artísticas e culturais, mas também sociais e econômicas. “O objetivo é impactar mutuamente os territórios envolvidos por meio da produção artística de cada localidade, mas também turística. E essa cadeia criativa, que também é produtiva, se desdobra em valor cultural e socioeconômico. Ou seja, a troca proposta se dá em vários níveis: artístico; cultural; social; e econômico”, explica Carolina Cândido.
Sobre o Colisão – A primeira edição do Festival Colisão aconteceu em 2024, na cidade de Diamantina (MG), com o intercâmbio do espetáculo “Solo”, de Anselmo Bandeira, além de bate-papos com o artista e do Workshop “Por de trás da criação do Solo”. “Diamantina foi o nosso ponto de partida, o projeto piloto, que nos mostrou o quanto as cidades, espaços e os agentes culturais desejam compartilhar seus trabalhos, pesquisas e experiências, não apenas com o público, mas entre eles e também para fora dos seus territórios”, diz Anselmo Bandeira.
“A formação artística sempre se manteve, menos ou mais sucateada. O Colisão é um projeto independente e que ainda está dando seus primeiros passos, mas que vislumbra, em curto prazo, se consolidar no meio artístico como um espaço de incentivo ao teatro coletivo”, conclui.
Anselmo Bandeira é ator, diretor, produtor, curador, arte educador e comunicador, graduado em Teatro e Relações Públicas pela UFMG. Co-criador da Dois Pontos – Plataforma Artística e do Festival Colisão. Possui trabalhos com a Cia. Duplô, Teatro Oficina, Anita Mosca (Itália), Elvécio Guimarães e outros. Estando em repertório como ator com dois espetáculos: “Solo” e “enquanto ainda há”.
Carolina Cândido é atriz, design e diretora teatral há 13 anos. Gestora e diretora de Arte da CÂ Design, diretora executiva e artística da Dois Pontos – Plataforma Artística e cofundadora da Miúda Companhia. Graduada em Teatro pela UFMG, Design Gráfico pela EBAC e em Arte Dramática pelo CEFART – Palácio das Artes. Atuou em diversos projetos artísticos junto ao Teatro da Cidade, Teatro de Pesquisa, Cóccix Companhia Teatral, Insensata Cia. de Teatro, Cangaral Produções, COOPMINAS, Bloco Abalô-caxi entre outros.
Sinopses dos espetáculos
“Mineral Ibsen”, direção Marina Arthuzzi
Apresentado pelo Teatro da Fumaça, em parceria com a Sobrilá Cia. de Teatro
Em uma comunidade vive à beira de um paradoxo: uma rachadura. Símbolo de progresso e de prosperidade econômica, é também a principal causa de sua ruína. Quando uma comunidade parece cansada de saber a verdade, quem terá a coragem de reafirmá-la?
Classificação: 12 anos
Duração: 70 min.
“Peixes”, de Ana Regis
Em uma consulta médica num manicômio judiciário, Cláudia, 52, professora, revela as histórias que viveu, numa narrativa fragmentada como seu pensamento. Ela conta como, um dia, quebrou a ordem das coisas e se libertou do ciclo de violência do qual fazia parte. Cláudia não é uma estatística. Cláudia é uma consequência social. PEIXES é um espetáculo poético e forte, cuja dramaturgia contém relatos reais de mulheres violentadas.
Classificação: 14 anos
Duração: 50 min.
“Colóquio Sentimental”, de Mônica Ribeiro
Atuação Camila Felix e Gabriel Corrêa
O espetáculo trata da desgastada relação amorosa de um jovem casal, instigando a reflexão acerca da importância e urgência da retomada do diálogo e do desenvolvimento da empatia entre casais. Utilizando uma situação limite, é retratada a natureza opressora que muitas vezes perpassa as relações amorosas. Por meio de uma linguagem estética em que atuação e a visualidade andam lado a lado a fim de contribuir para uma construção dramática, o espetáculo é um convite à ação de enfrentamento à inércia que frequentemente, por questões sociais, acabamos por nos permitir viver.
Classificação: 16 anos
Duração: 55 min.
SERVIÇO
08/04 – “Colóquio Sentimental”, às 20h – Centro Cultural José da Costa Sepúlveda
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$10,00. Vendas no site Sympla
09/04 – “Peixes”, às 20h – Espaço Sobrilá
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$10,00. Vendas no site Sympla
11/04 – Oficina “Corpo e ritmo na cena”, às 14h – Espaço Sobrilá
Aberto ao público geral.
Gratuita. Inscrições pelo link
12/04 – Mineral Ibsen, às 18h, no Espaço Sobrilá
Bate papo com os curadores do Festival após a apresentação
Ingressos: R$10,00. Vendas no site Sympla








